Um pouco de mim, de meus pensamentos, meus micos, minhas lembranças, minhas saudades, meu amores, meus erros e tudo com um pouco de poesia e humor. Esta sou eu: MIMIMA. Sejam todos bem vindos!
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quinta-feira, 19 de maio de 2011
Homenagem a Arthur da Paz
Parabéns Arthur pela paz que vc transmitiu neste relato simples e tão cheio de amor!
Abraços!
segunda-feira, 16 de maio de 2011
O dia que minha alma emudedeu - Parte Final

sexta-feira, 13 de maio de 2011
REVOLTA COM O BLOGSPOT!


quarta-feira, 11 de maio de 2011
O dia que minha alma emudeceu - parte 5
segunda-feira, 9 de maio de 2011
O dia que minha alma emudeceu - Parte 4
domingo, 8 de maio de 2011
O dia que minha alma emudeceu - Parte 3


Assenti com a cabeça e vi as lágrimas ressurgirem em meu rosto. Pensei da necessidade do pai estar presente naquele instante e não pude evitar imaginar que poderia ser uma da últimas vezes que o pai dele o veria com vida. Pensei também no Tiago que estava alheio a tudo isso e que não podia deixá-lo assim. Ele teria de ser preparado para o pior. Não tinha com quem conversar sobre isso o que me deixava muito isolada emocionalmente.
Tomei fôlego e liguei para o pai dele, meu ex-marido, que ficou desnorteado. Ele sempre foi muito ausente e acho que a culpa o aniquilou naquele instante. Disse que iria ver nosso filho no dia seguinte mesmo porque já eram mais de 21h da noite e não poderia ir para lá naquela hora. Voltei para o leito junto a meu filho.

Só podia entrar uma pessoa, fora o acompanhante, portanto várias vezes eu tive de sair para que as pessoas pudessem visitar o Lucas.
Pensei em Deus. Ele estava ali, com certeza. Mas eu me sentia muito falha com Ele. Algo me dizia que eu precisava fazer algo mais além de chorar e rezar por força e cura!
Meus pais foram embora e me vi novamente sozinha com meu filho. Senti uma necessidade enorme de escrever, mas não tinha nem lápis, nem caneta e muito menos papel. Liguei para meus pais que já estavam em casa e pedi que me trouxessem meu diário, meu terço bizantino, minha bíblia, meu "Evangelho Segundo o Espiritismo", o livro "O Poder Infinito da Oração" do Padre Lauro Trevisan e umas canetas.
Eu precisava escrever! Eu precisava colocar pra fora toda aquela aflição! Minha mãe me ensinava as orações e eu as repetia ininterruptamente: "Lucas é filho de Deus prefeito curado pela graça e misericórdia de Nosso Senhor Jesus Cristo! Obrigada, obrigada, obrigada", "Jesus, Cura meu filho Lucas", "Obrigada Jesus pela Cura de meu filho Lucas", "Jesus, obrigada por fortalecer meu filho Lucas", "Jesus, eu creio, mas aumentai a minha fé". E assim sucessivamente eu mentalizava essas palavras ao lado de meu filho.

Continuava a pensar no Tiago e no quanto eu estava deixando-o de lado diante de tudo que estava acontecendo. Senti-me horrível, pois estava renegando-o a segundo plano e não era justo para com ele. O que poderia estar passando em sua cabecinha? Ele tinha apenas 14 anos. Tinha acabado de completar 14 anos, era um menino que de repente se viu sozinho sem a mãe e sem o irmão e sem nenhuma notícia de nenhum dos dois. Um peso a mais baixou em meu coração e novamente me vi rezando e pedindo que Deus me iluminasse e me dissesse o que eu deveria fazer. Naquela noite comecei a sentir dores no ombro. Mal podia mexer o ombro e acreditei que fosse pela má posição no sofá em que dormia (ou tentava dormir) durante a noite. Semanas depois descobri que eram os primeiros sinais da Artrite Reumatóide que me segue até hoje! Psicossomaticamente a artrite é auto-punição. Uma necessidade de se punir por uma culpa incontrolável que toma conta de nossa psiquê. Óbvio que eu me sentia culpada. Óbvio que eu me incriminava por todas as mazelas de meu filho que estava em coma e pelo outro que estava alheio a tudo e "deixado a Deus dará". O peso da culpa me oprimia de tal forma que a dor do ombro de certa forma fazia com que eu me sentisse um pouco melhor. Era o castigo merecido que chegava ao meu inconsciente denegrido. Mais uma noite ao lado do corpo de meu filho tão debilitado. Ele emagrecia a olhos vistos. Era só alimentado pela sondanasográstica que enviava um liquido com nutrientes suficientes para mantê-lo vivo. Às vezes eu me beliscava para ver se aquilo não era apenas um pesadelo! E foi pensando no Tiago que terminei minha noite no 3º dia de meu filho na UTI.
Amanheceu e percebi que ainda estava ao lado de meu filho, como se fosse possível estar longe dele.

Estava ansiosa pelas canetas e pelo diário. Escrever se tornou vital para minha saúde mental. Quando eles chegaram peguei a Bíblia e a abri aleatóriamente e li o que minha vista encontrou: Corintios 2 12:10 "Porque quando estou fraco, então sou forte." Aquele versículo acertou minha alma em cheio! Comecei a conseguir enxergar alguma luz, muito tênue mas era uma luz, no final do túnel.Foram páginas, páginas e mais páginas escritas direto para Jesus! Eu devorava as orações dos livros, da Bíblia e do Evangelho Segundo o Espiritismo.
E escrevia as orações como se estivesse escrevendo uma carta para Jesus. Passava horas e mais horas escrevendo orações, salmos, pedidos, versículos e tudo o mais que me fizesse estar mais perto de Deus. E foi assim que aprendi a ter fé em Deus, pois foi nessa época que Ele me respondeu da forma mais linda que Deus poderia responder.
Continua...
sábado, 7 de maio de 2011
O dia que minha alma emudeceu - Parte 2

Entrei na UTI e fui direto ao leito onde se encontrava meu filho. Estava cheio de fios ligados nele e os sons dos batimentos cardíacos indicavam que seu coração estava acelerado. Ele ofegante olhou para mim e sorriu. Aproximei-me dele e segurei sua mão. Meu pai estava junto e também segurou a mão do neto sorrindo sem muitas palavras, pois estava prestes a chorar.
Logo entrou um médico que prescreveu uma máscara que forçava o ar para dentro do pulmão do meu filho e ele ficou com essa máscara a noite inteira.
Meu pai ficou pouco tempo e logo se despediu com os olhos marejados. Deu-me um forte abraço e seguiu para casa onde eu deveria estar comemorando o aniversário de mamãe, mas que agora já não tinha mais nenhuma festa.
Dentro da UTI descobri que o nível de saturação de oxigênio do Lucas estava muito baixo. Girava em torno de 85%. Abaixo disso corria-se risco de insuficiência respiratória e o aparelho sempre apitava quando a saturação diminuia.
A noite inteira fiquei ao lado dele que tentava respirar inutilmente. A mascara só o deixava mais nervoso, mas continuava valente e tentava me passar uma calma jamais sentida! Não dormiu durante a noite. Teve apenas breves cochilos que eram interrompidos pela oxigenação fraca e quase nula de seus pulmões. Não vi o dia amanhecer e só fui perceber isso quando houve a troca da equipe. Percebi também que meu filho começava a ficar com os lábios escuros e as pontas dos dedos roxeadas. A saturação começou a gritar, pois estava em 79% e o médico entrou na sala para examiná-lo pedindo que eu saísse. Fiquei no corredor com o coração despedaçado imaginando o que ele me diria quando terminasse de examinar meu filho.
Quando saiu, o médico se aproximou e disse que meu filho estava tendo uma insuficiência respiratória e que ele seria entubado.
Minhas pernas falsearam e o médico me segurou. Lembro de ter visto o rosto do meu filho segundos antes de desfalecer. Não lembro muito bem como, mas sei que estava na enfermaria sentada com um copo de água nas mãos. A enfermeira, muito gentil, tentava a todo custo me tranquilizar dizendo que meu filho não sentiria nada e que a entubação era feita com ele sedado e que seria melhor para ele e que eu tivesse fé e mais uma série de outras palavras que não faziam nenhum sentido para mim naquele momento.
Quis vê-lo, mas não permitiram uma vez que estavam preparando-o pois ele tinha sido induzido ao coma! Lágrimas e mais lágrimas desciam livremente pela minha face. Chegavam a arder de tão quentes e doídas que elas ficaram! Fui até a ante sala da UTI onde ficavam os parentes que iriam visitar seus familiares, mas não via ninguém, apesar da sala cheia. Fui até o vitrô e olhei para a rua. Já havia amanhecido e eu nem tinha dado conta. Fiquei ali inerte pensando em como dizer para meus pais que seu neto estava em coma e entubado. Fiquei pensando em como dizer isso ao meu filho Tiago que estava na casa de minha mãe acreditando que o Lucas só estava tendo uma crise de bronquite qualquer e que em breve estaria em casa. Como dizer para mim mesma que insistia em não acreditar que aquilo tudo fosse real quando eu rezava para que fosse apenas um dos piores pesadelos de minha vida! As lágrimas desciam soltas. Chegavam a queimar meu rosto. Eram quase 7 horas e eu pedia para que o tempo parasse até eu conseguir colocar as idéias em ordem. Lá fora as pessoas caminhavam apressadas totalmente alheias ao meu sofrimento. Pensei por um momento que gostaria de ser uma daquelas pessoas.
Não sei quanto tempo fiquei ali parada olhando o nada pelo virtô do hospital. Então alguém tocou em meu ombro e me ofereceu um café. Não sei quem ela era, mas ela havia visto algo que a maioria das pessoas não enxergam. Ela havia visto a minha dor. Só me ofereceu um café. Não perguntou nada, não especulou nada e não me obrigou a falar nada. Sentei-me ao seu lado e tomei aquele café que de alguma forma revigorou um pouco minhas energias já tão escassas.
Agradeci a ela que voltou-me um sorriso e foi-se embora. Nunca mais a vi. Chego a pensar se não foi um anjo que Deus colocou em meu caminho para me fazer acordar daquela inércia em que me encontrava.
Chamaram na UTI informando que já podia ver meu filho. Respirei fundo e cobrei de mim mesma a força necessária para seguir em frente. Entrei no leito e o vi. Ele já não sorria mais pra mim. De sua boca saia um tubo que o ajudava a respirar. De seu nariz, saía outro tubo. Seus olhos estavam meio abertos mas não me viam. Ele estava totalmente inconsciente. Havia um cateter em seu pescoço. Ele não me via, não me ouvia, não se mexia. Ele estava em coma! Quando eu pensava que já não haveria mais lágrimas que pudessem rolar de meus olhos, elas surgiam mais abundantes ainda! Molhei o lençol que cobria meu filho de tanto chorar!
Voltei para a ante-sala de onde liguei para meus pais avisando do coma e da entubação. Só pude ouvir os soluços do outro lado da linha. Não haviam palavras que expressassem a dor que eles viviam naquele instante. Pensei o quanto era injusto fazer meus pais passarem por tanto sofrimento. Minha mãe só dizia: "Ele vai melhorar filha! Santo Antonio vai por a mão sobre ele!". Sua fé em Santo Antonio sempre me emocionou e por um instante eu gostaria de ter essa fé inabalável como ela. Mas descobri que a Fé a gente aprende a ter, e eu aprendi. Eles quiseram ir para o hospital, mas lhes pedi que não fizessem isso, pois não tinha mais nada que pudéssemos fazer a não ser rezar por ele.
Eu estava robotizada. Andava de um lado para o outro do leito. Sentava, levantava, andava, sentava e assim sucessivamente rezando sem parar até anoitecer. Era dia 15/06/2006. Feriado de Corpus Christi. Lembrei que no dia seguinte eu deveria ir trabalhar. Passei um torpedo para a Cristiane, minha amiga que trabalhava comigo, avisando da situação. Não conseguiria falar, por isso optei pelo torpedo. Mas logo em seguida ela me ligou perguntando o que havia acontecido e narrei a ela em meio a soluços. Perguntou-me se podia fazer alguma coisa pra ajudar eu eu lhe pedi apenas que rezasse e que pedisse a todos na Prefeitura que rezassem também por meu filho.
Minutos depois chegaram meus pais e minha irmã. Se apiedaram de meu estado. Não havia comido nada a não se tomado café o dia inteiro, mas não tinha fome.
Estava despenteada, desarrumada, sem maquigem e não havia tomado banho. Eu parecia um zumbi.
Fiquei na ante-sala enquanto eles visitaram meu filho. Seria sofrimento demais ve-los verem meu filho entubado. Voltaram de lá massacrados pelo sofrimento. Insistiram para que eu voltasse para casa com eles para poder descansar um pouco. Eu não queria ir. Tinha medo de ir embora e não ver mais meu filho vivo, mas não disse isso a eles. A enfermeira disse que eu deveria ir embora e descansar para quando meu filho acordasse eu estivesse bem. Foi o único argumento que me fez ceder e foi assim que deixei meu filho pela única e ultima vez naquela UTI sozinho.
Saí de lá amparada pelo meu cunhado e pela minha irmã. Só fazia o que me mandavam: "Senta, Levanta, Descansa, come" era apenas um robozinho sem vontade, sem expressão. Conforme o carro se afastava do hospital eu ia me sentindo mais fraca.
Cheguei em casa de mamãe e pediram uma pizza. Meu cunhado cortou meu pedaço, pois eu tremia demais para faze-lo. Logo em seguida me levaram para a cama e dormi a base de calmantes.
Por volta de umas 07h00 acordei pulando da cama para ligar no hospital e ter notícias de meu filho. Atendeu na UTI um rapaz eu lhe disse: "Por favor! Sou a mãe do Lucas. Queria saber como ele está?". Ele respondeu: "O estado dele é muito grave!"
Foi assim que voltei ao hospital com a certeza de nunca mais deixá-lo dormir sozinho uma noite que fosse a mais.
Continua.
quinta-feira, 5 de maio de 2011
O dia que minha alma emudeceu! - Parte 1
Estou protelando esta postagem há exatos 3 anos. Desde que criei este blog prometi a mim mesma que iria postar o pior momento e também o melhor de minha vida e que faria isso para não esquecer (como se fosse possível) todo o sofrimento que vivi no ano de 2006 e que só quem tem filho poderá compreender essa dor lancinante que corta nossa alma ao meio. Sempre que vivo momentos difíceis, volto minhas lembranças para aquele fatídico 14/06/2006 onde tudo que pensei saber da vida, me mostrou o quão pequena eu sou diante dos mistérios que esta jornada que fazemos por este planeta pode nos aguardar!
Dessa forma, estou reunindo os pedaços das minhas lembranças e colocando-as neste post para que um dia meus netos, bisnetos ou qualquer outra pessoa possa ler e entender o significado destas palavras: "mistérios da fé".
13/06/2006 - Primeiro jogo da seleção brasileira para disputa da copa do mundo. Brasil x Croácia. A prefeitura nos liberou mais cedo e fui direto para casa buscar meus filhos para assistirmos o jogo na casa de minha mãe regado a bolo de queijadinha (uma delícia!) e pipoca. Meu pai havia comprado umas cornetas que os meninos assopraram com todo vigor no primeiro e único gol do Brasil. O Lucas com a camisa azul da seleção e o Tiago com a camisa amarela. Eu estava com uma misto de verde, amarelo e azul. Adoramos a copa do mundo e nessas épocas vestimos mesmo a camisa da seleção e de nosso país!
Terminado o jogo o que foi uma certa decepção, pois esperávamos no mínimo uns 3 x 0 em cima da Croácia, voltamos pra casa pelo menos aliviados por termos ganho a partida.
No dia seguinte, era aniversário de minha mãe e iríamos todos a noite em sua casa comemorar seus 66 aninhos de vida. Logo pela manhã, o Lucas pediu para não ir a escola, pois estava com falta de ar. Dei uma inalação nele e fui trabalhar. O Lucas começou a ter asma logo depois que voltamos de Juquitiba e eu achei que pudesse ter sido o baque da mudança de um ar tão puro como os das montanhas de lá com o ar pesado e poluído daqui de São Paulo, mas enfim, ele não tinha sempre falta de ar, era uma vez ou outra e aquilo sinceramente não me preocupou muito.
Fiquei monitorando ele de meu trabalho para ver se ainda estava ruim. Ele tomava Simbicort para prevenir as crises e Combivent quando estivesse em crise. Mesmo com o uso dos medicamentos não houve melhora na falta de ar e pedi para sair mais cedo e voltar para casa cuidar de meu filho, afinal tínhamos a festinha de mamãe e queria que ele estivesse bom para podermos ir pra lá sem preocupações.
Porém, no decorrer decorrer da tarde ele não melhorou e por volta de umas 18 horas, começou a queixar de dor no peito. Eu que já estava preocupada com seu estado, comecei a entrar em pânico, pois uma dor no peito não me parecia ser um prognóstico bom. Avisei minha mãe que teria de levá-lo ao hospital e meu pai se ofereceu para me acompanhar. Parei na casa deles para pegar meu pai e fui dirigindo em direção ao hospital com meu coração aos saltos.
Logo na Av. água Fria, encostei o espelho retrovisor de meu carro em outro carro e meu pai acabou assumindo a direção, pois percebeu meu nervosismo. No caminho meu filho encostava o rosto no enconsto do banco do passageiro e me dizia: - Fica calma mãe! Eu tô bem, viu? Aquele olhar preocupado de meu filho com minha preocupação fazia com que meu coração encolhesse ainda mais!
Chegando ao hospital ele foi atendido como "caso de risco" (coisa que fiquei sabendo depois), e logo entrou para passar pelo médico.
Foi, então, encaminhado para inalação. Depois, outra inalação, depois um remédio na veia, e mais tarde, mais uma inalação.
Depois de todo esse tratamento o médico pediu ao meu filho que ele falasse seu nome completo: LUCAS BRANCHI EVANS SALVIA, mas ele não conseguiu. Meu filho não tinha fôlego para dizer seu próprio nome de uma única vez.
O médico então me chamou no canto e disse que iria colocá-lo na UTI, pois seu caso era realmente grave. Troquei um olhar meio que perdido com meu pai que se afastou de mim. Percebi que ele tinha ido chorar longe de mim e do Lucas. Naquele momento eu não sentia mais o chão. Não sentia mais meus batimentos cardíacos e não sentia nem vontade de chorar. Somente um vazio intenso, frio e gélido percorria minha corrente sanguínea. Olhei para meu filho que bravamente lutava por um pouco de ar e pensei na inocência dele que nem ao menos sabia o que era uma UTI. Aproximei-me dele e disse-lhe que ele teria que ir para um lugar onde seria monitorado 24 horas e que lá ele estaria seguro, mas que eu não poderia ficar com ele, mas que estaria por perto caso ele precisasse de mim. Entre um fôlego e outro meu filho repetiu: - Não se preocupa mãe! Eu estou bem e vou ficar bem. Novamente senti meu coração miudinho... agora era minha respiração que faltava.
A enfermeira se aproximou de mim pedindo que eu providenciasse a internação de meu filho. Antes de ir, fui ver meu pai que estava fora do prédio tentando respirar tanto quanto eu. Não houve palavras, só o abraço forte e a esperança de que tudo passasse rapidamente. Eu segurava bravamente as lágrimas, pois não queria mostrar fraqueza ao meu pai. Nesse minuto tocou o celular dele. Era minha mãe. Ele passou o telefone para mim. Coloquei o aparelho no ouvido e só pude murmurar - "Mãe!"... Ouvi o choro contínuo de minha mãe e permiti que as lágrimas represadas até aquele momento caíssem sobre meu rosto. Só lembro de pedir a ela que rezasse muito! Pensei em sua festa de aniversário, no presente que eu não havia dado e no futuro que não parecia existir mais para mim naquele momento. Com o coração rasgado, o espírito despedaçado e a alma muda desci até o setor de internação para tratar das papeladas e lá tive mais uma surpresa!
A atendente me informou que não havia vagas e que eu deveria tentar em outro hospital, pois a UTI estava lotada! Meu único pensamento naquele instante foi: "Meu filho aguentará uma transferência?". E foi com este pensamento que voltei para a Emergência do hospital. No caminho eu rezei: "Senhor! Você me deu esse menino e eu o estou criando da melhor forma que eu posso, mas hoje, eu não posso fazer mais nada, portanto Deus, eu o coloco em suas mãos! Só Você Deus, saberá p que será melhor agora para meu filho! Toma ele em Teu colo Senhor! Cuida de meu filho pra mim! Obrigada!"
Cheguei na emergência com o rosto quente pelas lágrimas que teimavam em cair. Olhei meu filho ofegante e segurei em sua mão. Apenas sorri. Ele sorriu em resposta. O médico se aproximou e disse-lhe que a UTI estava lotada e que meu filho deveria ir para outro hospital. O médico respirou fundo e disse que veria algum hospital próximo que pudesse recebê-lo. Então tocou meu ombro tentando me confortar um pouco. Olhei para meu pai e vi seus olhinhos azuis vermelhos. Tive tanta pena dele! De sua dor! De nossa dor!
Voltei para perto de meu filho e, tentando parecer o mais natural possível, disse-lhe que ele deveria passear de ambulância, pois ele seria encaminhado a outro hospital e que seria divertido. Ele só sorriu, já não conseguia mais falar!
Segurei em sua mão e pensei em Deus novamente. Repeti mentalmente: "Deus, ele está aqui! Segura ele em Seu colo Senhor!"
Nesse instante uma enfermeira se aproximou dizendo que iria vagar um leito na UTI e que a transferência não seria mais necessária.
Apertei a mão de meu filho e fui avisar meu pai que, apesar da angustia, também ficou um pouco mais tranqüilo. Aguardamos mais alguns minutos até que a ida de meu filho à UTI fosse finalizada. Foi por volta da 01h30 da madrugada que meu filho deu entrada a UTI. Perguntei várias vezes se eu poderia me despedir dele depois que entrasse na UTI apesar de afirmarem que sim, várias vezes!
Ficou eu e meu pai na ante-sala da UTI esperando autorização para nos despedirmos de meu filho. Meu coração era um misto de alegria por ele permanecer no hospital e tristeza e medo de deixá-lo sozinho, pois não queria imaginar nunca mais vê-lo sorrir para mim. E Foi dentro da UTI que me informaram que eu poderia ficar como sua acompanhante, pois ele era menor de idade (15 anos) e aquela UTI era pediátrica! Mais uma vez lembrei de Deus e pensei: "Obrigada Senhor, mas continue com ele em Seu colo, por favor!".
Aquele foi só o início de um suplício que descreverei no próximo post, pois as lágrimas ainda teimam em descer, mesmo depois de 5 anos do acontecido. Peço a paciência e o apoio de vocês! Grande beijo!
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Regando um docinho!
