sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Outro fim. Mais um recomeço!

Comecei o ano de 2008 com um belo tombo no 1º dia de janeiro. Isto está registrado neste blog, é claro! Algumas escoriações nos joelhos e toda empanada de areia não foi uma forma muito agradável de começar um ano, mas, lembro na minha infância, que quando nós caíamos, diziam-nos que mudaríamos de vida. Isso sempre me marcou. Pois é. Não funcionou muito comigo porque as mudanças realmente aconteceram foi no ano seguinte, ou seja 2009. Não que eu queira levar outro tropicão em plena praia de Astúrias no Guarujá esperando que 2011 seja tão bom quanto foi 2009, pois basta um mico por ano, mas, como meu lema é sempre ver o lado bom das coisas, tenho que admitir que 2009, foi fantástico! Se isso teve a ver com o tombo de um ano atrás, não sei, mas que foi um ano muito bom, ah isso foi! Claro que teve algumas complicações que eu superei de forma fantástica o que deixa claro a minha plena capacidade de lidar com situações extremamente estressantes com um jogo de cintura de arrepiar! Também tive meus momentos de querer matar um, espancar outro, morrer, me trancar em um quarto e chorar até as lágrimas secarem, assim como tive momentos de escrachar de rir até doer o estômago, me emocionar com meus amigos, fortalecer minha fé e minha crença em mim mesma. Hove momentos em que só precisava e queria ficar sozinha quando estava rodeada de pessoas e outros momentos onde estava completamente só e queria uma companhia desesperadamente. Minha auto-estima sofreu altos e baixos. Aliás, sofreu altíssimos e baixíssimos graus de um dia para o outro e terminei o ano com um saldo positivo e a maior, graças a Deus! Acho que tudo tem sua hora certa para acontecer. Este ano me separei de amigas com as quais trabalhei vários anos e isso doeu profundamente a princípio. No entanto, conheci outras pessoas e aprendi coisas novas que nem fazia idéia que pudessem existir na Prefeitura. Fiz novas e sólidas amizades e isso é extremamente importante para mim. Continuo mantendo meus amigos antigos, o que é raro vindo de mim, pois sou o tipo de pessoa que, para não sofrer a perda, acaba "deletando" pessoas de minha vida. É um mecanismo de defesa (minha psicóloga falou e tentou tratar, mas nunca conseguiu). No entanto eu sempre dizia a ela: "Quando eu estiver preparada e achar que realmente as pessoas irão valer a pena, eu as guardarei!". Eu eu as guardei, todinhas... Cris, Mamá, Tati, Fabi, Fabi 2, Maura, Celi, Re, Dani, Fatita, Thathá, WG, AA, JFA, Little Charles (como a Tati chama o Sr. Carlinhos) e outros que começaram a surgir este ao e os quais eu começo a ter um carinho muuuito especial como a Lene, Carlinha, Mary, Rose, Vivi, Re 2, Ro, Diniz, Carlão, Luizão, Geiza, Dude e mais outra série de pessoas que faz com que minha vida seja sempre uma grande e divertida brincadeira..,. Beth, Su, Rubens, Amaral, Mário, Marinho e outras tantas que se eu for escrever seus nomes, não terminarei antes do final do ano de 2010. Este ano meu blog venceu fronteiras e buscou amigos lá em Portugal! Amigo este que me viciou no Farmville (um joguinho do Facebook) e que está uns 6 ou 7 leveis acima de mim, mas eu o alcanço!!! Me aguarde Zé! Esperança de que o próximo ano seja melhor é o que sempre temos, mas, se pelo menos continuar do jeito que está, já tá bom demais! Eu sei que isso é ilusão. Sei que, como sempre, vou ter desafios para enfrentar, problemas para resolver, dividas para acertar, relacionamentos para desembaraçar, emoções para descomplicar e será uma árdua tarefa, com toda certeza. Dois filhos adolescentes não é fácil! Uma mãe adolescente (que sou eu) é mais difícil ainda, pois eu acho que sou uma grande criança que não cresceu. Uma versão feminina de Peter Pan. Mas que saber? É ótimo! Quero continuar a não ver noticiários que enchem nossas mentes de situações perturbadoras. Assistir muitos romances e encher meu coração de amor. Rir até chorar com comédias. Ler até cochilçar e acabar dormindo. Tomar vinho geladéssimo e pensar na vida. Me arrepender só de coisas que eu fiz, se é que vou me arrepender. E acima de tudo, manter meu astral lá no alto, bem pertinho do Papai do Céu para que Ele possa tocá-lo me abençoando sempre!
O que eu desejo à todos, é que sigam sempre seus corações e façam o que acharem ser melhor para si mesmos. Errar, todos erram, então, descomplica e se perdoa de uma vez, tá? Sem essa de jogar culpa de sua infelicidade nos outros... isso não existe! Nós fazemos nossas escolhas e muitas vezes fazemos grandes besteiras, então, encha o peito e admita: "Me Ferrei!"... e siga em frente com o seguinte pensamento: "Fazer o que? Tentei fazer o melhor, mas deu merda! Dá próxima vez, vou prestar mais atenção"... pode acreditar, mesmo que errar novamente, seu erro será bem menor e proporcional à sua culpa que também será pequena. Isso já será um grande avanço! Terminado 2010, a gente conversa de novo, tá? Que Deus os abençoe a todos! Não me abandonem.... Voltarei assim que chegar do Guarujá moreninha! Beijão meus amigos!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Odeio Laptops!

Cá estou eu digitando (...ou tentando digitar) numa caixinha de quase dois palmos da largura, sem mouse e com um teclado pra lá de estranho... UM LAPTOP ou NOTEBOOK (no meu tempo se chamava assim). O que eu digitava em 1 minuto, estou demorando pelo menos uns três! Foi uma dificuldade imensa descobrir onde estava a tecla "del"... Olhei o teclado inteirinho e não achava a maldita! Depois de muuuuito tempo, percebi que ela estava no canto superior direito e que debaixo do escrito "Del" havia em azul "Scr Lk".
Tentei digitar minha senha, mas não conseguia, pois o CAPS LOCK estava ativado e eu não sabia onde desativava o bichinho. Também descobri depois que ele é acionado na mesma tecla de um computador normal só que a luzinha MICROSCÓPICA, acende no canto inferior direito da base do laptop. Ou seja, se ninguém me avisasse eu ficaria procurando até agora. Acho que esses notebooks foram feitos por destros que odeiam canhotos, afinal o teclado numérico está espalhado em todo o lado direito do teclado em numerinhos azuis.
E o som? Esse negócio ficava toda hora fazendo "toin" cada vez que eu errava (e olha que eu errava bastante) me entregando para todo mundo que eu tinha feito besteira e eu não sabia onde desativava. (além de tudo é fofoqueiro). Conclusão, mexi num monte de teclas e acabei por ativar coisas que até Deus duvida!
Agora, o must é o mouse! Esse sim, ganha de todos! Eu fico passando o dedo de lá para cá e de cá para lá, pois às vezes eu vou muito rápido e acaba ultrapassando o ponto desejado. Então eu volto mas quando vejo, voltei demais! Até enquadrar o cursor no lugarzinho certo é um parto... Daria para parir uns 20 palm tops e cinco Mp3!
E para rolar uma página? Tentem rolar uma página sem mouse e com o dedo naquele quadradinho ridículo. Você tem que usar simultâneamente dois dedos, um para apertar um botãozinho do quadradrinho onde se arrasta o dedo e outro dedo para arrastar, é óbvio! Um verdadeiro exercício de concentração. O pior é que para fazer isso eu ponho a lingua pra fora no canto da boca, como uma criança que está aprendendo a escrever. Fala sério? Fazer isso no Gabinete do Secretário do Prefeito não pode né?
Acionei sem querer o teclado numérico e quando eu digitava as letras, elas não apareciam, ou apareciam números no lugar... Achei bizarro! Eu digitava a letra "I" e aparecia o "5", digitava o "U" aparecia o "4". Digitava o "A" e não aparecida nada. Pensei em reclamar com a Prodam sobre mal funcionamento do dito cujo, mas enfim, descobri que o teclado numérico estava ativado. Liguei para meu filho para saber como se desativava essa geringonça! Ele me explicou e acalmou meus ânimos!
Agora estou aqui neste blog para dividir com vocês esta minha primeira experiência com LapTops!
Minha fisionomia tentando entender este aparelhinho devia estar muito engraçada, pois minha amiga teve uma crise de riso quando me viu! Acho que eu devia estar com a língua para fora, pode apostar!

domingo, 22 de novembro de 2009

Casamento - EVENTO HISTÓRICO

Se existe uma coisa que me deixa fora do eixo completamente é "Salão de Beleza". Eu ODEIO ir a salões de beleza. Odeio aqueles papinhos medíocres que se tem em salões de beleza onde se juntam um bando de mulheres falando sobre novelas, maridos, receitas e, principalmente, falando mal das pessoas que acabam de sair de lá! Se você não quiser me encontrar, MORE em um salão de beleza que nunca me verá por essas bandas. A menos, é claro, que tenha um casamento na família, que seja um casamento de alguem próximo, e que exista um suborno por parte da minha mãe para ir ao Cabeleireiro afinal : "é o casamento de sua prima e você tem que ficar bonita, né filha?!". Começou com o alugel do vestido. Eu não sou de frequentar baladas nem bailes, portanto, não tenho roupas de noite nem de gala para essas ocasiões, mas também não me estresso, afinal existem aluguéis de roupas para que?... HÁHÁHÁ! Tente falar isso para Dna. Odila (minha mãe). Quando eu lhe disse que iria alugar uma roupa, ela amistosamente me mediu de cima a baixo e falou: "Será que tem do teu tamanho??? Não seria melhor comprar?". Por ser minha mãe e por amá-la demais, resolvi relevar essa DIRETA e respondi que eu jamais compraria um vestido que eu nunca mais iria usar na vida. Quinze dias depois, estou eu e ela no Shopping vendo vestidos de noite. Ou seja, meu poder de persuasão é um verdadeiro fracasso! Depois de provar mais ou menos uns 10 vestidos onde um ficou decotado demais, outro ficou apertado demais, outro ficou curto demais, outro ficou... sei lá... estranho demais, minha mãe, é claro, acabou por decidir o melhor vestido para eu colocar. Admito que eu não estava nem um pouco interessada no vestido, mas para não magoá-la, aceitei sua sugestão e, realmente, ela tem um muito bom gosto para essas coisas. Bom, pensei, já resolvemos. Acaba por aí! (doce ilusão!) No dia seguinte, minha mãe me liga: "- Filha! Com que sapato você vai?".... Respondi que havia ganho uma sandália de minhas amigas da Prefeitura num tom meio ouro velho e que pretendia ir com ela... "- Ah! Mas será que vai combinar? Eu tenho um sapatinho preto que vai ficar ótimo. Você vai com ele, tá?" .... Para mim, ir com a sandália ou o sapato preto não faz a menor diferença mesmo porque o vestido é longo, portanto, pouco importa o sapato afinal ninguém vai ver (tente dizer isso para Dna. Odila também!!!). Resolvemos que eu iria com o sapato dela, e, óbviamente com a bolsa dela, com os brincos dela, com a pulseira dela. Ainda bem que eu pude usar minha calcinha, pois se eu tivesse que usar a calcinha dela, provavelmente ficaria toda assada uma vez que o tamanho dela é P e o meu é G, ou GG, sei lá! O vestido dispensava o uso de sutiã, o que ajudou a evitar um problema a mais. OK! Estou com o vestido, o sapato, o brinco, a pulseira e a bolsa. Agora, é só ir no casamento. (doce ilusão - a revanche!) Dois dias antes do casamento, vem a brilhante idéia! "- Filha! Você não quer fazer uma maquiagem em algum salão de beleza?", ela sabe do meu ódio em relação a salões de beleza, portanto ela arrematou: " - Eu pago.". Demorei um pouquinho para responder mesmo porque eu saberia que a coisa não iria ficar só nisso, mas acabei concordando e aguardando o desfecho final que veio logo em seguida. "- Aí, você aproveita e faz o cabelo também. E as unhas.".... "- Mãe! Eu não tenho unhas! Eu como as unhas, lembra? Desde pequena!", respondi com uma certa irritação na voz, "- Ah! Mas pede para ela tirar só a cutícula e passar uma basesinha!". Pensei em responder que se ela retirasse só a cutícula, provavelmente eu iria com os ossinhos de meus dedos de fora porque eu rôo tanto as unhas que já não tem nem unha muito menos cutícula, mas me calei! Simplesmente corncordei. "- E como é que estão seus pelos?"....(meus pelos???? Como assim?)....."Porque você podia passar aqui e eu te tirava os pelos do rosto, do bigode!" ..... (começou a ofender!!!!!)...."- Vem aqui e a gente vê se dá para depilar ou se a gente clareia eles, tá?". Chegando na minha mãe, é óbvio que passei por uma depilação completa! Só não depilou os pelinhos da virilha porque o vestido era longo! Mas tenho que admitir que eu não imaginava ter tantos pelos no rosto! Quando puxava a cera, a mata atrântica parecia desmatada! Três quilos mais leve depois da depilação e com vários bobs na cabeça, volto eu para a casa querendo descobrir o que era "baby lease", sugestão de mamãe para o meu penteado no cabeleireiro, caso os BOBS não descem certo. Meu filho não acreditou que eu não soubesse do que se tratava um BABY LEASE pois TODA A MULHER SABE O QUE É BABY LEASE! "-Tá! Então eu sou um homem disfarçado, tá bom?"... respondi já de saco na lua! É claro que os BOBS foram um fracasso total! Mas por outro lado descobri que babelease, não era tão horrível assim. E lá vou eu 15h30 no SALÃO DE BELEZA fazer meu baby lease e a maquiagem. Primeiro quase tive que quebrar a cara da bicha encantada que me atendeu dizendo que o baby lease iria ficar um HORRRRRRORRRRRRRRR pois o meu cabelo estava TERRÍVELMENTE RESSECADO! Ao que eu respondi "- Ainda bem que vai ficar um horror em mim e não em você, NÉ BEEEIMMM?" Logo a dona do salão interviu e os ânimos foram acalmados. O casamento era às 18h30. Era 17h10 e eu ainda estava no cabeleireiro. A maquiadora falava: "- Você prefere lábios vermelhos, vinhos, claros, escuros? Carmim? Vermelho mais vivo? Bordô? Ou talvez um vermelho amarronzado, o que você prefere?".... "- Qualquer um, mas pelo Amor de Deus, termina logo essa droga!". Saí do salão às 17h20, entrei em casa já tirando o vestido e colocando o outro. Calçando um pé do sapato enquanto pulava para meu quarto em busca do meu perfume, pois minha mãe já estava lá me esperando. Saímos às 17h30 (MILAGROSAMENTE). Chegamos na igreja 18:25 e a noiva já estava no carro. Aliás! Minha prima parecia uma linda princesa de contos de fadas! Beijos para você Jé e para você Dica!) Como nossos anjos estão sempre por perto, pegamos a primeira fila bem perto da noiva! Enfim, o casamento foi lindo! A maquiagem se desfez com minhas lágrimas, mas o que valeu foi ver a alegria de minha família ao se multiplicar com mais esse casamento! Apesar de eu ter me separado, eu ainda acredito nos casamentos, nas igrejas e na união pelo resto de nossas vidas! Eu espero de coração que isso se concretize com minha querida Jéssica! De coração! Amo você priminha!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

O que a imaginação faz com a gente!

Era 22 de abril de 2008. Eu já havia trabalhado na Prefeitura e chegava sempre por volta das 17h em casa. Um dia comum como outro qualquer. Fiz a janta para as crianças e fui ler meu livro. Era um romance espírita, mas não sei ao certo qual era o livro, pois eu estava na fase de "devoradora de livros" e costumava ler de cinco a seis livros em um mês, portanto fica difícil lembrar exatamente qual livro eu estava lendo. Bem, depois de ajeitar a casa, fui para o quarto ler meu livro na cama e fechei a porta para não ser incomodada. Devia ser umas 20h30. Meia hora depois, eu fechei o livro e fiquei deitada com o abajur aceso pensando no que tinha que fazer no dia seguinte. De repente minha cama tremeu! Inteirinha! Era como se pegassem os pés da cama e chacoalhassem ela comigo em cima! Durou cerca de 3 segundos. Naquele instante, um frio gélido subiu pela minha coluna vertebral. Parou e um segundo depois, tremeu por mais uns 2 segundos. Nesse instante comecei a sentir as gotículas de suor frio nascendo em minha testa. Foi tudo muito rápido. Mas não rápido o suficiente para me fazer esquecer! Quando parou de tremer,eu continuava imóvel! Na verdade eu fiquei "PRETIFICADA". A única coisa que mexia em mim eram meus pensamentos e, com certeza, eles não me ajudaram nem um pouco. Minhas órbitas oculares giravam por todo o quarto tentanto encontrar uma resposta cientificamente plausível para aquele acontecimento bizarro! A primeira coisa que me ocorreu era que meus filhos poderiam estar pregando uma peça em mim e que tivessem entrado no quarto sem eu perceber, apesar da porta permanecer fechada e estivessem ambos abaixados segurando os pés da cama e chacoalhando-os. Sussurei seus nomes mesmo porque eu estava tão apavorada que tinha medo de me assustar com minha própira voz, mas subitamente eu lembrei que minha cama é chumbada no chão, portanto a hipótese dela ser chacoalhada pelos pés foi por água abaixo. Começou então a surgir um abundante suor frio na testa! Entrei, então, em conversa com meu anjo da guarda: "- Tudo bem anjo! Não vou ficar apavorada mesmo porque você está comigo e não estou sozinha!"... Nesse instante eu me senti um pouco mais tranquila e continuei a conversa: "Bem, como você pode perceber, não existe uma razão plausível para a cama tremer o que me faz acreditar que talvez além de mim e de você, possamos estar acompanhados de mais alguém, concorda? Alguém que eu não vejo, mas que você, por ser um anjo, consegue ver. Então, se não for pedir muito, você se incomodaria de ir lá e falar com esse "alguem" para parar de tremer a minha cama pois ele está realmente me assustando?" Um detalhe, eu continuava petrificada. Pensei em correr até a porta do meu quarto que fica uns três passos da cama, mas imaginei que isso pudesse "ofender" esse "alguem" que estivesse lá. Então pensei em sair vagarosamente para não assustar o "alguem" que estivesse lá comigo. Continuava meu monólogo com meu anjo: "Ok, vamos fazer o seguinte. Como eu estou petrificada e algumas regiões do meu corpo começam a adormecer, acredito que eu deva fazer alguns movimentos para a circulação sanguínea, certo? Então, anjo, avise esse "alguém" que eu vou me movimentar devagarzinho para que "ele" não se assuste. E que eu vou me levantar calmamente e sair do quarto para tomar um pouco de água na cozinha, certo? Peça-lhe para não ficar bravo nem irritado, ok?" Meu maior pânico era de me mexer e a cama tremer novamente. Lembrava do livro "A Entidade" de Frank de Felitta que conta a história de uma mulher que foi violentada por uma entidade espiritual em seu próprio quarto, buscando tratamento psiquiátrico posteriormente. Eu confesso que me achava vítima de algum espírito zombeteiro! Lentamente eu fui me movimentando e me levantando da cama. A essa altura, já havia rezado uns 30 "Pai Nosso", umas 20 "Ave Maria" e pelo menos uma centena de "Santo Anjo do Senhor". Enfim, abri a porta do quarto e saí. Olhei para o quarto dos meninos e o Lucas estava lá tranquilo mexendo em seu pc como se nada tivesse acontecido! Perguntei-lhe de seu irmão e disse que o Tiago estava no térreo com um amigo. Logo em seguida o Tiago aparece em casa queixando-se de uma ligeira tontura. Não me preocupei muito pois ele tem sinusite e às vezes ele realmente tem umas tonturas. Fui para a cozinha, tomei água, voltei e olhei para o meu quarto pela porta. Examinei cuidadosamente e depois acendi a luz! Olhei o quarto inteiro, cada milímetro! Atrás da porta principalmente! Fui até a minha cama e tentei chacoalhá-la e percebi que isso era impossível! Não comentei nada com meus filhos pois receava ter que ir para um sanatório antes do esperado. Bem, naquela noite eu só consegui ir para a cama depois da meia noite. Deitei mas só fui dormir por volta das 03h30. Como era de se esperar, acordei às 06h um farrapo humano. Levantei, tomei banho, tomei café e fui pegar o elevador para ir trabalhar. Já no elevador encontrei um vizinho e cumprimentei-o. Foi quando ele me fez a pergunta: "- A senhora sentiu o terremoto de ontem?"...... "- T E R R E M O T O??? ..... Teve terremoto ontem?" - respondi já um pouco mais aliviada. "- Sim, foi um terremoto grande! A senhora não sentiu?" Pensei em responder que havia confundido o terremoto com uma entidade do mal que queria me estuprar, mas só respondi "Não!". Porque não pensei nisso antes??? Lógico! Só podia ser um terremoto! Cheguei no serviço e abri a net: Lá estava: Tremor de terra atinge São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro Tremor foi sentido em vários pontos do estado no final da noite desta terça-feira (22). Corpo de Bombeiros e Polícia Militar registraram chamadas sobre incidente. Um tremor de terra de 5,2 graus na escala Richter foi sentido no final da noite desta terça-feira (22) em São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro. De acordo com o Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB) o tremor ocorreu a 270 km de São Paulo, às 21h e durou cerca de cinco segundos. O epicentro foi localizado no Oceano Atlântico. Fiquei eufórica! Eu ria de mim mesma! Como pude pensar em estupro espiritual???....kkkkk! Ridículo! A medida que meus colegas chegavam, relatavam suas experiências com o tremor de terra na noite anterior! Eis que por volta das 09h chega meu querido chefe WG! O assunto do dia era o terremoto em SP e não pude me esquivar de contar para meu chefe sobre o tremor da minha cama. Eis que o Dr. WG volta seus olhinhos verde-azulados ou azul esverdeados ainda não sei ao certo, para mim e abre um sorrisinho escancarado no rosto falando: "- É Mi! Fala sério! Só assim para sua cama tremer, né?", e arrematou com uma sonora gargalhada que se espalhou pela Prefeitura inteira! Naquele momento eu o odiei com todas as forças do meu espírito principalmente porque ele estava absoluta e incontestávelmente CERTO! Comecei então a rever meus conceitos sobre o alívio de saber que minha cama tinha estremecido em virtude de um terremoto, afinal isto sugeriria que nem sequer um espírito enlouquecido, demente e estuprador tinha interesse em mim o que fez com que minha auto estima despencasse consideravelmente! Quando cheguei em casa olhei para a minha cama com uma certa irritação, principalmente porque eu sabia que ela só iria tremer novamente quando houvesse, no mínimo, um 5.2 na escala Ricther em SP outra vez!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Feriado??? Droga!

Eu sou o tipo de pessoa completamente desligada de tudo. Absolutamente tudo! Quando caiu um avião no meio do oceano eu só fiquei sabendo uma semana depois e, isso, porque casualmente minhas colegas de trabalho comentavam insistentemente sobre o assunto. As Torres Gêmeas eu só acompanhei porque estava com a tv ligada, (porém muda) e TODOS OS CANAIS estavam passando aquela tragédia. Mesmo assim só fui prestar atenção depois que um amigo me ligou comentando o fato porque até então eu achava que fosse um trailler de algum filme de Hollywood.
Estou comentando isso só para que vocês entendam que é absolutamente natural eu chegar para trabalhar na sexta-feira e descobrir que não vou precisar vir na segunda porque é feriado do dia das crianças. Fiquei hiper empolgada, pois um feriado assim de repente (pelo menos foi assim que eu vi) e sem esperar é melhor ainda. Tudo bem que eu tinha que trabalhar no sábado fazendo aquelas convocações da Cultura para tirar uns extras no final do mês, afinal eu teria mais dois longos dias: domingo e segunda, para recuperar-me de tanto esforço! (até parece...rsrs). Foi também na sexta feira que excepcionalmente descobri que no final do mês teremos 4 longos dias em casa em virtude do dia dos funcionario público e o dia de finados, pois meu prefeito fez a gentileza de nos dar ponto facultativo na sexta dia 30 de outubro. Sexta feira passada eu estava em êxtase completo! Três dias em casa e no final do mês mais quatro! Que maravilha! Porém, depois que passou o último sábado e domingo, comecei e repensar meus valores em relação a feriados prolongados, pois este último foi O PIOR FERIADO DE TODA A MINHA VIDA!!! Estou apavorada só de pensar que no final do mês vou ter que ficar em casa! A melhor coisa que me aconteceu no feriado foi ter ido trabalhar no sábado, porque depois que cheguei em casa, só aconteceu m...! Voltei de minha convocação no sábado ansiosíssima, pois tinha ganho um DVD do Vitor e Léo que queria muito assistir e chegando em casa fui logo avisando os "DEMOS" dos meus filhos que eu queria ficar 1 hora e meia em meu quarto, na paz de Deus assistindo meu DVD e que eles não me interrompessem. Aparentemente eles entenderam o recado e lá fui eu e o Sebá (meu gatinho) assistirmos ao DVD. Não se passaram mais do que 15 minutos e comecei a ouvir um pequeno tumulto na sala. Permaneci imóvel assistindo meu DVD com Sebá no colo, mas já com a atenção ligeiramente dispersada diante do barulho que vinha da sala. De repente um estrondo! Gritos! Tapas! Berros! Coisas caindo! E Sebá todo arrepiado em meu colo com suas unhas fincadas em minha coxas. Levantei para ver o que estava acontecendo... Meus dois filhos se pegando aos murros! Tentei apartar a briga mas só consegui torcer meu pulso direito que já não é lá essas coisas em virtude da artrite. O Tiago saiu com um olho roxo tão inchado que parecia os olhos do Quazímodo (Corcunda de Notre Dame). Eu, além do pulso ferrado, ainda tinha as coxas feridas com as unhas do Sebá pelo susto que ele também levou! É óbvio que toda a minha empolgação com meu DVD foi por água abaixo e logo estava eu em pé dando sermões para meus dois filhos sobre comportamento racional e alta probabilidade de morarem com seu pai! Ânimos abrandados, gelo no olho roxo do Tiago, Lucas de castigo no quarto, nebacetim em minhas coxas e nimesulida para meu pulso. Foi assim que passei o final de sábado. Enfim! Chega domingo! Novo dia! O Sol lá fora me dava esperanças de um dia um pouco mais divertido uma vez que o dia anterior tinha sido uma lástima! Acordei com dores no corpo todo, provavelmente da tensão do dia anterior, mas não me deixei abalar! Levantei, tomei meu café, examinei o olho roxo do Tiago que estava um pouco menos inchado mas muito mais roxo. Respirei fundo e prometi para mim mesma que não me deixaria abater por aquilo! Logo em seguida o Lucas levanta todo gentil. Foi comprar as coisas para nosso café da manhã, demonstrou um cuidado especial com o irmão (remorso, lógico), estava exremamente solícito! Um novo Lucas que me fez pensar que teria valido a pena o olho roxo do Tiago se aquele comportamento fosse eterno! Diante de tanta cordialidade da parte do Lucas, não pude negar a ele uma chance de tentar tirar meu carro da garagem, uma vez que ele já está fazendo aulas de direção e não poderia causar danos em um veículo que só necessitaria DAR RÉ... SÓ DAR RÉ!... NADA MAIS! SIMPLESMENTE UMA RÉZINHA, SEM NEM GIRAR A MALDITA DIREÇÃO! ...RÉ! ...APENAS RÉ! Isto posto, lá foi meu Gentleman tirar o carro da vaga! Se eu contar para vocês o estado atual do meu carro, ninguém acreditaria, portanto seguem umas fotos. Minha irmã perguntou: Como ele conseguiu? (Eis o mistério da fé!). Depois disso dá para imaginar que minha segunda feira não estava das melhores. Mas como tudo na vida, ela poderia PIORAR, e piorou quando descobri que estava sem um centavo na minha conta bancária. Quando minha mãe me ligou para saber se estava tudo bem, entrei nom choro compulsivo que mal podia falar... Eu estou atualmente me sentindo uma péssima mãe, horrível administradora, imprestável dona de casa, catastrófica em prendas domésticas! Meus pensamentos se deslocam do Lucas para o carro, do carro para a mecânica, da mecânica para o olho do Tiago, do olho do Tiago para minha conta bancária, da conta bancária para um empréstimo, do empréstimo para o Lucas, do Lucas novamente para o carro e assim sucessivamente. Meus pensamentos nem sequer se desviam para um possível suicídio, infelizmente! Tive uma crise histérica de riso quando vi em minha penútima postagem sobre "Tudo Ótimo!". O máximo que poderei dizer hoje seria ...tudo ótimo... Agora eu pergunto: Dá para ficar empolgada com o próximo feriado? Me dá calafrios só de pensar que eu vou ter que ficar quatro dias em casa. Que Deus me ajude!

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Tudo ÓTIMO!

Vocês já perceberam como as pessoas costumam responder a cumprimentos? Quando a gente pergunta: Tudo bem com você?, geralmente a resposta não é muito otimista:"É. Vamos indo." ou "Não melhor do que você " ou ainda "Levando, né? Não tem outro jeito!", ou, sendo um pouco mais animador, acaba saindo um "Tudo bem", mas que com uma cara que nos faz perguntar "Imagine se estivesse ruim...". Pois é, eu resolvi mudar as respostas e sempre que alguém me pergunta. "Tudo bem com você?", eu respondo "Cada vez melhor!". Geralmente o outro lado olha com espanto não acreditando a princípio no que ouviu. Depois do baque acaba respondendo: "Poxa! Que legal!", ou "É isso mesmo! Tem que pensar assim". Atualmente estou trabalhando em Relações Governamentais e minha atual chefe é extremamente alto astral. Toda vez que alguém pergunta se ela está bem, segue-se um harmonioso e bem falado: "Tudo ótimo! E com você?". Mas não é um "tudo ótimo" qualquer, é um sonoro, soletrado, muito bem colocado, direto e absoluto: "TUDO ÓTIMO!!!!", direto, dinâmico, que faz com que a gente perca o eixo. A gente balança! As pessoas perdem um pouco o rumo antes de responder. Parece que ficam pensando em uma resposta que satisfaça o "ótimo" que foi colocado, pois não foi um ótimo qualquer, foi um tremendo, estupendo e maravilhoso "ÓTIMO". Estou aprendendo com ela. Já percebi vários rostos estupefatos tentando imaginar uma resposta a altura, mas geralmente eu ganho de longe! Hoje mesmo, ao me perguntarem se eu estava bem, encarnei minha chefe e escancarei um "TUDO ÓTIMO!" que fez com que a pessoa saísse tonta, meio "onde estou, quem sou eu", entende? Ela até gaguejou para responder: "Q q q que b b bo bom n n n né éé?" Isso me inspirou a postar essa mensagem e lançar a campanha do "TUDO ÓTIMO!" Eu acredito que a palavras têem sua força e quanto mais otimistas possamos ser com as coisas que dissermos, mais favoráveis serão as situações que nos são colocadas. Bem, como hoje é sexta feira, meu chefe, minha chefe, minha amigas já foram e estou sozinha aqui, tinha que inventar algo para passar o tempo, concordam? Mas está lançada a campanha do "Tudo Ótimo!". E que seja infinita enquanto dure! Até segunda, pois meu final de semana com certeza será "ÓTIMO".

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Parando de fumar...

Em 2002 nem se cogitava a possibilidade de uma lei anti fumo em São Paulo. Havia sim, alguns restaurantes que se dividiam em "fumantes" e "não fumantes", mas nunca foi além disso. Eu fumava naquela época. Não era de fumar muito mas um maço para mim durava 1 dia e meio, mais ou menos, (Tá certo! Eu também não fumava pouco) e só de pensar que o maço estava acabando eu já entrava em verdadeiro pânico. Tinha que sair correndo para comprar mais um maço, pois a possibilidade de ficar sem cigarro me deixava desesperada. Naquela época eu tinha motivos mil para fumar. Havia voltado de Juquitiba faziam dois anos. Estava desempregada e com dois meninos para criar. Prestava todos os concursos públicos que existiam e vivia estudando para conseguir passar em algum. Estava com tendinite no tornozelo, NO TORNOZELO, ACREDITAM? O que me impedia de fazer minhas caminhadas que eu tanto gostava. Vivia estressada! Tinha dois filhos que exigiam coisas de mim que eu não podia dar o que aumentava a minha irritação e, consequentemente, diminuia a minha auto estima! Então eu fumava! Fumava! Fumava! Não podia atender um telefone que eu acendia um cigarro, colocava o cinzeiro na mesinha e ficava conversando e fumando feito uma louca! Eu fazia um curso em um centro espírita e eles falavam sobre o mal que fazia o cigarro, mas eu pouco me importava. Continuava fumando, afinal eu morreria mesmo algum dia e quando isso acontecesse eu me preocuparia em prestar contas sobre o fumo. E o tempo foi passando. Meu passatempo predileto era fumar e tomar café. Acordava, tomava um café e fumava. Preparava o café dos meninos depois me sentava na sala e fumava. Ligava a tv e fumava. Fazia o almoço com o cigarrinho do lado. Assistia as novelas fumando. Lia algum livro fumando. Antes de dormir fumava o "último" cigarro do dia (isso se eu não acordasse de madrugada, é claro!) e assim sucessivamente, dia após dia. Meu stress cada vez mais alto.
Um belo dia, assistindo o fantástico, apareceu uma reportagem onde o Dr. Drauzio Varella falava sobre o cigarro e o mal que ele fazia para os pulmões. Mostrou então o pulmão de um fumante totalmente preto e disforme.
Quando meus filhos viram isso, vieram desesperadamente pedindo para que eu parasse de fumar. Eles falavam : "Mãe! Pára! Por favor! Olha como vai ficar seu pulmão!" e eu abanava a cabeça negativamente. Eles insistiam "Mãe! Pára! Por favor!". E eu dizia que não estava em condições de largar o cigarro, pois estava muito nervosa. Mas eles não desistiram: "Mãe! Pela gente! Deixa esse negócio aí! Olha só o mal que faz! Por favor! Se você morrer o que vai ser de nós dois? Pára de fumar mãe. Pelo amor de Deus! Olha o que você está fazendo com seu pulmão! Por favor mãe! Pára de fumar! Pára vai?!" Como eu já estava ficando de saco cheio com sua insistência respondi num grito: "QUANDO EU CONSEGUIR UM EMPREGO E COMEÇAR A TRABALHAR EU PARO, TÁ?". Eles sossegaram e responderam: "Promete?", eu irritada retruquei: "PROMETO! QUE SACO!".
Nunca mais tocou-se nesse assunto até janeiro de 2003 quando recebi minha convocação para trabalhar no HSPM. Quando recebi o telegrama eu fiquei tão feliz que fui logo contar para meus filhos e qual não foi a minha surpresa quando ao contar para eles, os dois me disseram: "Agora você vai ter que cumprir a promessa!"
Eu já nem lembrava da droga da promessa que eu tinha feito! "Que promessa?", "A de parar de fumar", responderam com um sorriso enorme de vitória no rosto. Minha expressão deve ter sido de tanta incredulidade diante do que havia ouvido que meus filhos retrucaram: "Você sempre fala que quando se promete algo, deve-se cumprir!" e aquele sorrisinho idiota em seus rostos me aniquilou. Fiquei absolutamente sem palavras. Parar de fumar? Isso não estava em meus planos. Mas o dois foram tão enfáticos em suas palavras que não me deu outra alternativa senão calar a boca e pensar num jeito de me safar da situação. Imaginação à solta comecei a inventar argumentos para adiar minha promessa. Disse-lhes que eu só havia sido convocada, portanto não valeria ainda. Eu teria que parar de fumar quando começasse a trabalhar e aquilo era só uma convocação. Eles aceitaram com um muxoxo, mas não tiveram outra alternativa. Foi quase um mês de exames médicos para estar apta a exercer minha função de assistente administrativo no HSPM, e nesse interim eu fumava feito uma condenada no corredor da morte.
Finalmente foi informada da data em que eu iniciaria minhas atividades no Hospital e seria dia 10/02/2003. Fiquei dividida entre estar feliz e estar triste, pois meus filhos pareciam uma sombra me rodeando para saber se eu cumpriria a promessa. Nunca imaginei que eles tivessem gravado no fundo do âmago de seus seres aquelas estúpidas palavrinhas que eu havia dito a alguns meses atrás.... maldito Drauzio Varella!
No domingo anterior eu fumei desesperadamente. Eu acendia um cigarro atrás do outro. Só de pensar que no dia seguinte eu não poderia mais fumar, a vontade aumentava. Não conseguia dormir de tanta ansiedade. Devia ser umas 2h30 da madrugada quando eu adormeci não antes de fumar o ultimo cigarro. Logo pela manhã, às 05h00 para ser específica, pois eu entrava às 07h00 no hospital, peguei minha cigarreira com o maço de cigarros dentro, meu isqueiro e escrevi um bilhete para os meus filhos dizendo assim: "Promessa cumprida. Podem jogar fora a cigarreira, o cigarro e o isqueiro. Parei de fumar." Deixei tudo sobre a mesa da cozinha e parti para meu primeiro dia no Hospital do Servidor Público Municipal. Metade de minha alma estava lá também junto com a cigarreira, é lógico! E uma imensa vontade de me atirar na Av. Mazzei debaixo de um ônibus. Vou ser sincera. Durante o dia eu não senti a mínima vontade de fumar. Comprava aquelas balinhas tic-tac extra forte e colocava-as na boca sempre que sentia vontade de fumar, mas foram muito poucas as vezes. Mas durante a noite! Admito que entrei em depressão na primeira semana. Durante a noite eu mastigava palitos, cenouras, balas e qualquer outra coisa que eu pudesse. Tomava café aos baldes! Roía todas as pobres unhas de minhas mãos. Não atendia telefone em hipótese nenhuma, para não sentir vontade de fumar. O ápice da crise de abstinência se deu quando meu filho, ao me ver tomando um golinho de café, mencionou inocentemente: "É mãe! Agora você precisa é deixar de tomar café!". A minha reação foi extraordinariamente desproporcional ao que deveria ser. Eu olhei para ele e mencionei aos prantos: "Você quer acabar comigo, né? Você quer me matar! Já não basta o sofrimento que estou passando (drama!). Já não basta o esforço desumano a que estou me submetendo por vocês e essa ridícula promessa que eu fui OBRIGADA a fazer! Vocês ainda querem mais! Querem me ver arrastando no chão! Não basta meu sofrimento! Tem que ter sangue! Vocês me odeiam! O QUE EU FIZ PARA MERECER ISSO? ALGUÉM PODE ME DIZER?". O Lucas arregalou seus dois olhos e sussurrou: "foi brincadeira, mãe!"
Naquela semana, para minha infelicidade, acabou a luz no prédio e tivemos que ficar a luz de velas. Nessa noite adivinhem quem vai fazer uma visitinha em meu ap? Minha irmã e meu cunhado, ambos fumantes INVETERADOS. Sentaram-se na sala e acenderam seus cigarros. Sob a luz das velas eu via as fumaças de seus cigarros subindo e desaparecendo no ar. Aquele cheiro de cigarro atiçava meus sentidos e eu comecei a me contorcer feito uma lesma atingida por sal. Meus filhos me olhavam com os olhos esbugalhados, pois eles sabiam que eu estava me esforçando para cumprir o prometido, mas que aquilo também já era demais! Até que um deles falou: "Tia, sabe da novidade? Minha mãe parou de fumar!". Eu o agradeci com os olhos. Minha irmã e meu cunhado não sabiam o que fazer com o cigarro. Chegou a ser cômico! Eles levantavam as mãos na tentativa de afastá-los de mim. Meu cunhado foi até o vitrô, minha irmã ficava com o braço estendido até que eles resolveram ir embora. Eu amo demais a minha irmã! Mas aquela não foi uma boa hora para ela fazer uma visitinha no meu ap. Finalmente a primeira semana passou e o inferno diminuiu. Na segunda semana eu já nem sentia mais vontade de fumar, mas mantinha minhas balinhas tic-tac por perto para qualquer eventual recaída. Na verdade até hoje, 6 anos depois, eu ainda ando com as balinhas na bolsa. Elas foram minhas companheiras e confidentes naquela semana fatídica e as mantenho comigo sempre. Hoje é lógico, agradeço muito aos meus filhos por terem me obrigado fazer aquela promessa e me orgulho por ter dentro de mim aquele ensinamento que aprendi com meus pais de sempre cumprir o que se promete, seja a quem for, ou o que for. Cumpra-a! Seu coração ficará aliviado e seus filhos aprenderão o valor que podem ter suas palavras quando sinceras! Ah! Esqueci... aqui vai meu agradecimento especial ao Dr. Drauzio Varella, pois sem ele, nada disso teria acontecido! Valeu Doutor!

domingo, 2 de agosto de 2009

Perfume das coisas

Hoje eu acordei com saudades! Saudades das coisas que não acontecem mais. Hoje acordei lembrando do porão da casa de Dna. Hélia, vizinha nossa, onde brincávamos junto com sua filha, a Sânscia. Era um porão enorme, mas fico pensando se hoje ele teria o mesmo tamanho. As coisas encolhem ou somos nós que crescemos? O que mais encolheu dentro de mim além daquele porão escuro, cheirando mofo, cheio de bagunça mas que eu amava ficar por horas simplesmente observando-o. Também tinha o meu porão. Lá ficavam minha bonecas, a lousa, a mesinha e cadeirinhas para tomar o chá da tarde, meus ursinhos, a vitrola do papai, uma pia de brinquedo para aprendermos a lavar louça (nunca aprendi), uma cama onde a Santa, minha segunda mãe dormia, uma tábua de passar roupa, várias quinquilharias de meu pai, e uma porta para acesso à garagem. Eu adorava aquele lugar! Passava minhas tardes brincando com meus bonecos, desenhando mapas estratégicos para invadir algum lugar potencialmente perigoso, mas que sempre conseguíamos vencer, pois éramos infalíveis. (eu e meus bonecos, claro!)
Acho que quando a gente cresce, não são somente as coisas que encolhem, mas junto com elas, encolhe a nossa infância. Encolhe aquela criança que fomos. Encolhe a nossa audácia em pensar, agir. Encolhe nosso ímpeto de descobrir coisas. Encolhe nossa vontade de buscar respostas para todas aquelas perguntas que não quiseram nos responder.Encolhe a nossa ousadia. Nossa busca pelo que queremos compreender. Encolhe junto a inocência! Ah! A inocência... Poder olhar um casal apaixonado se beijando e achar absolutamente normal... Sentar no colo dos adultos sem nem pensar que eles seriam capazes de tanta crueldade com as crianças... Certa vez viajamos para Campos do Jordão e minha mãe comprou-me um pulôver de frio bem felpudo e quentinho cor de vinho... Se eu o usei foi uma vez só. Guardava-o para um momento especial, mas, o que é momento especial para uma criança? Certa tarde eu estava em casa e minha mãe tinha ido até a minha avó. Eu estava sozinha e me sentindo dona da situação, é claro! Nisso a campainha soou e eu fui verificar pela janela quem estava tocando. Era um menino da minha idade mais ou menos, uns 6 ou 7 anos, de camiseta e um shortinho. Ele era magricela e estava todo encolhido pois fazia muito frio. Perguntou-me se eu teria um pedaço de pão para ele. (Naquela época, um pedaço de pão era extremamente comum de se pedir e usavasse sómente para comer). Fiquei com muita pena e disse que eu não tinha um pedaço de pão. Então perguntei se ele estava com frio. Ele afirmou. Disse-lhe que esperasse um pouco e fui correndo para o meu quarto pois o "momento especial" chegara e peguei meu pulôver novinho. Desci saltitante as escadas e entreguei para aquele menino que o recebeu com uma cara de espanto e alegria ao mesmo tempo. Colocou-o imediatamente e eu perguntei se o frio tinha ido embora. Ele sorriu e disse que sim. "Que Deus te abençõe!" foi sua resposta, virou as costas e saiu feliz da vida. E Deus me abençôou mesmo. Isso chama-se compaixão. Onde ela está nos dis de hoje? Quando minha mãe chegou, fui contar para ela de meu feito extraordinário e cheia de orgulho. Levei uma das maiores broncas da história de minha vida. "Você tem noção do quanto custou?" "Você não pode ficar dando qualquer coisa para essas pessoas" "Teu pai vai ficar uma fera!". Meu pai não ficou uma fera. Lembro que ele sorriu e disse para não fazer isso de novo. Acho que ele entendeu minha intenção infantil. E querem saber? Até hoje não me arrependo de ter dado aquele pulover para o menino. Eu agradeço a Deus por ter deixado em mim uma parte daquela menina sardenta, com grandes olhos castanhos e cheia de imaginação. Não a deixei morrer. Ela renasce comigo a cada dia que amanhece. Hoje pintamos nossa sala e aquela menina voltou. Voltou empinando o pincel para pintar o rosto de meus filhos e depois fugir para não ser pintada... Claro que com 45 anos e eles na faixa dos 18 me pegaram rapidinho e fizeram de meu rosto uma aquerala amarela. Quer saber? ADOREI! São momentos assim que ficarão em nossos corações. Nestas horas, nossas crianças tem que tomar conta de nossos corações... Elas devem resistir ao tempo... Elas foram nós. Seus perfumes ainda exalam de nossas almas, basta deixá-las surgir!

Presente de meus filhos....

Nessa mania de vídeos, qual não foi a minha surpresa ao ver que meus filhos fizeram um vídeo para mim?! Estou orgulhosa! Obrigada meus amores....

Para Mamãe...

Uma forma carinhosa de dizer o quanto esta mulher significa em minha vida! Através dela eu aprendi a ser uma pessoa melhor e por ela quero continuar melhorando sempre! Obrigada Mãe!

Para Meus Filhos!

Uma pequena lembrança que fiz para meus filhos.... Amo Vocês!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Incêndio na Cozinha

Era uma bela tarde de sábado em janeiro de 2007. Eu estava na casa de meu namorado (atual ex) lá em Interlagos e, óbviamente, meus filhos estavam em casa lá em Tucuruvi, extremo oposto da cidade. Depois de uma semana trabalhando duro na Prefeitura, nada melhor do que dormir até o meio dia, concordam? Foi mais ou menos nessa hora que eu acordei. Tomei um vasto café da manhã (meio dia...hehehehe... manhã?), regado a yogurt, pães, queijos, mamão, capuccino e etc. Estava atolada no sofá assistindo a uma programação sem graça na tv tentando tomar coragem para um bom banho. Fiquei nessa inércia por mais ou menos umas duas horas e eis que o telefone toca. Era meu filho Lucas querendo falar comigo. Atendi já um tanto irritada, afinal eu estava de folga e merecia meu dia de total insensibilidade física, psíquica, emocional e mental! De qualquer forma o instinto de mãe fala mais alto nessas horas e eu pacientemente atendi ao pimpolho docemente:
  • Fala saco!
  • Oi mãe. Tudo Bem?
  • Tudo, que foi?
  • É que aconteceu uma merda aqui em casa....
  • Merda? .... que merda? (comecei a soltar a imaginação, afinal merda é igual a despesa.
Primeiro, pensei que poderia ter quebrado o computador, pois Lucas e computador fazem um casamento perfeito. Segundo, imaginei que fosse a televisão, pois quando o computador não está presente, a televisão é que padece. Minha terceira e última opção, seria a cama que poderia ter quebrado, pois quando o computador e a televisão estão inviáveis, a cama é aceitável).
  • ..... (silêncio)....
  • Lucaaaassss... fala. Que merda?
  • Mãe, foi realmente uma grande merda....
  • Computador?
  • Não
  • Televisão?
  • Não
  • QUE FOI, SACO?!
  • ..... é que a cozinha pegou fogo...
  • O QUE????? (risos....)
  • é mãe, a cozinha pegou fogo!
  • (risos) Tá, to morrendo de rir. Fala logo, inferno!
  • é sério mãe.... eu fui fritar batatas e dormi. Quando acordei a merda já tava feita.
  • ....... (risos cessando)..........(silêncio)...............(repiração começa a acelerar).... é sério?
  • é.
  • ........(frio gélido começando a subir pela espinha).......
  • mãe?.........
  • quê?
  • tudo bem?
  • ...................(início do pânico).... você tá zoando né?
  • não mãe!
  • ..............(silêncio)..........................
  • mããããeeeeeeee..................
  • .....................fala.
  • ......................tudo bem?
  • .................Jesus! ..................Lucas, não brinca comigo!
  • É verdade mãe (quase chorando).
  • ...................TO INDO PRAÍ! (quase chorando).
Fiquei alguns segundos em estado literalmente catatônico. Desliguei o telefônico e por mais que o Edu (meu ex) perguntasse o que havia acontecido, eu continuava muda! De repente encarnei novamente em meu corpo e num pulo retornei a ligação para meu filho:
  • Lucas!
  • oi....
  • Você tá bem? Se queimou? Se machucou? E a asma? Tá respirando bem? E o Tiago? Como ele está? Se queimou? Chamou bombeiros? Qual foi o estrago? FALA CRISTO!!!!
  • Agora já tá tudo bem, mas eu queimei um pouco a mão...
  • A MÃO? (imaginação à solta novamente!!! Pensei numa mão totalmente carbonizada.... preta! Já via a mão de meu filho pegando fogo e ele correndo para o banheiro e enfiando-a no vaso sanitário para extinguir o fogo!!!)
  • É mãe... mas não foi nada grave!!!
  • COMO VOCÊ PODE SABER SE NÃO FOI GRAVE???? HEIN???ESTOU INDO PARA AÍ!
Desliguei, levantei, comecei a me trocar e em dois segundos eu já estava no meu carro. A essa altura acho que mencionei algo para o Edu sobre o que havia acontecido. Quando uma pisciana está nervosa, a pior coisa a ser dizer é: "Fica calma!". Foi o que ele disse e quase ocorreu um rompimento na hora. Depois ele se ofereceu para dirigir. Meu olhar frio e calculista o fulminou nessa hora e acho que ele entendeu que a resposta era "NÃO"! Meu FIESTA 1.0, ano 2000, branco, nunca correu tanto como naquele dia. Uma fFerrari ficaria com vergonha! Todas as infrações de trânsito que eu pudesse transgredir eu transgredi! Milagrosamente não recebi nenhuma multa, mas acho que eu passei tão rápido pelos radares que não tiveram tempo de fotografar. Os carros eram apenas vultos e eu os costurava com uma agilidade de ninja. A medida que eu avançava, o Edu encolhia em seu banco. Imaginei que, se continuasse nessa proporção, provavelmente ele estaria com 3,5cm de altura quando chegássemos em Tucuruvi. Não entendi o pãnico dele afinal eu não cheguei a mais de 160km por hora. Um trajeto que eu faço em aproximadamente 40 ou 45 minutos, eu fiz em 20. Chegando em casa pude ver uma leve fumacinha saindo do vitrô da lavanderia. Meu coração estava aos pulos!!!Quando entrei no prédio pude sentir o cheiro de queimado! E pensar que aquele cheiro era proveniente de minha cozinha que deixei brilhando na sexta feira. Quando desci no hall, tudo estava cinza! Vestígios de fuligem em todos os cantos. Nessa hora eu pensei se realmente eu queria entrar no meu ap. Respirei fundo e entrei. O que eu vi não consigo traduzir em palavras! O rosto do Lucas estava coberto de fuligem, aliás, ele devia de ter fuligem até no "fiofó"... seria cômico se não fosse trágico! A cozinha, parcialmente carbonizada! O exaustor, em cima do fogão, ficou parecendo um monte de ferro retorcido. A porta de vidro da lavanderia trincou. O varal da lavanderia, derreteu! O teto estava negro. As paredes da sala estavam negras. As roupas que estavam no varal limpinhas, agora tinham uma camada de fuligem por cima! Os azulejos da pia soltaram com o calor. As portas dos armários ficaram carbonizadas. O fogão estava irreconhecível. Depois de uma passada de olho por toda aquela calamidade foi que me lembrei da mão do Lucas. Na verdade a queimadura não foi grande, aliás foi pequena o suficiente para ele não aprender a fritar batatas, pois uma semana depois ele quebrou as regras e fritou novamente, só que dessa vez ele não dormiu! Tenho que admitir que meu ex nos ajudou muito na época, pois o susto me impediu de tomar decisões. Fiquei com aquela cara de "aonde estou e quem sou eu" durante todo o dia. Eu respondia mecânicamente com a cabeça sempre que alguém me perguntava algo, "sim" ou "não", nada além disso! Minha única iniciativa foi sentar, pensar e tentar fazer o possível para não me suicidar. Até hoje, quase dois anos e meio depois, existem marcas no apartamento do incêndio! Estou tentando pintar as paredes mas nunca sobra dinheiro. O Lucas, nesse meio tempo, conseguiu arrumar as portas dos armários, o que já melhorou bastante o visual, mas ainda falta muito para ficar do jeito que eu a havia deixado naquela sexta feira de janeiro de 2007. O que aprendemos com isso?
  1. Nunca fritar batatinhas sem a presença da mãe. (regra quebrada)
  2. Deus protege os desesperados, pois não fui multada e nem bati o carro.
  3. Uma pizza nessas horas é extremamente benvinda.
  4. Espancar um filho só faz você machucar suas mãos, então tente ser compreensiva. (sei que é difícil, mas vale a pena!)
  5. Uma tomada, um fio, um spot e um soquete novos são extremamente baratos.
  6. Cinco sessões de psicanálise são extremamente caras!
  7. Calmantes são tentadores, mas se conseguir ficar sem, é bem melhor!
  8. Chorar por três dias consecutivos, só vai deixar você com olheiras profundas.
  9. Um pote de 2 litros de sorvete de chocolate é absolutamente saudável em momentos de stress.
Consequentemente o melhor é tentar acreditar que, assim como os raios não caem duas vezes no mesmo lugar, um incêndio também não deve ocorrer duas vezes no mesmo ap., mas, se isso acontecer a minha sugestão é: ARRUME UMA BOA BENZEDEIRA, OU MANDE SEU FILHO FICAR UNS DIAS NA CASA DO PAI, DE PREFERÊNCIA UNS 6 MESES!!!!

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Pensamento

"Nada termina até o momento em que se deixa de tentar."
E, como diz minha mãe, Dna. Odila: "Se não deu certo, é porque ainda não terminou!"
Beijos mil!!!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Para Sandra.

Sandra é uma pessoa que conheci no sítio Morrinhos em uma das minha convocações aos domingos. Ela deve ter mais ou menos a minha idade e é uma mulher extremamente simpática e bem despachada. Extremamente simples no trato e terrivelmente direta. Adorei conhece-la mas o que realmente eu adorei foi uma conversa que tivemos a alguns meses atrás.
Em nossa conversa, falávamos de relacionamentos. Ex-maridos, namorados, ficantes, enfim, falávamos sobre essas coisas uma vez que tanto ela como eu somos mãe e pai ao mesmo tempo de dois meninos, os meus adolescentes, os dela adultos já. Em determinado momento eu lhe perguntei se ela estava namorando ou se estava com alguem. Foi quando ela contou-me a sua história e disse-me uma frase que jamais esquecerei. Ela disse: "Não sinto necessidade de amar, pois eu já fui amada o suficiente para uma vida inteira!". A hora que ela me disse isso, todos os pelinhos de meu braço arrepiaram e senti uma emoção extremamente forte. São poucas as pessoas que conseguem admitir um amor tão pleno como esse e eu tive o privilégio de conhecer uma assim.
O que realmente me emocionou foi a sinceridade com que ela falou sobre esse relacionamento e do quanto que ela foi feliz com ele. Infelizmente ele faleceu não me lembro bem o porquê, mas o pouco tempo em que viveram juntos, foi o suficiente para uma vida inteira.
Ela disse-me que está abastecida de amor pelo resto de sua vida, pois foi um sentimento tão intenso e ao mesmo tempo tão delicado que eu não poderia julgá-lo com uma paixão. Pelo que compreendi, foi um dos mais puros amores já vividos e sentidos na vida de uma pessoa. Se ele estivesse vivo, talvez seriam como meus pais são hoje, ou seja, totalmente "unos"! Mesmo a vida leve um deles embora pois este é o destino de todos nós, o que ficará terá a mesma sensação da minha doce amiga Sandra, ou seja, estará totalmente abastecido de amor!
Obrigada amiga por mais esta lição!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Esta é para a Tati!

Outro dia fiquei pensando muito na Tati. Há muito tempo atrás, ela comentou comigo sobre um desentendimento que havia tido com seu namorado no qual eu lhe havia dito que se fosse comigo (a famosa frase), eu já teria terminado tudo. Na verdade o que eu quis dizer é que hoje em dia, talvez pelas várias desilusões que sofri e por tudo que um dia acreditei e não acredito mais, faço questão de não me prender a ninguém e também não torno nenhum homem indispensável para a minha vida.
Lembro que no dia em que ela desabafou comigo, a ouvi dizer que ela queria ser igual a mim e não deixar que as coisas a magoassem da forma como a magoavam. No momento confesso que até que me orgulhei disso, mas depois de um tempo fiquei refletindo sobre suas palavras e me questionando profundamente sobre se isso realmente seria bom. Já faz uns dois ou quase três anos que ela comentou isso comigo e desde então fico pensando a respeito. Tive, como todos nós temos, vários percalços na minha vida. Não me casei cedo, pelo contrário, tinha 25 anos quando subi no altar e, sinceramente? Foi um dos dias mais magníficos da minha vida! Nunca me arrependi de ter-me casado e jamais me arrependerei. Só acho que faltou um pouco mais de maturidade tanto minha quanto de meu ex. Ambos queríamos independência e acabamos por colocar os carros na frente dos bois antecipando uma condição que poderia ter sido protelada mais para adiante. No entanto, apesar de meus 25 anos e dos 24 anos dele, estávamos ambos subjugados a alguém: eu a meus pais e ele ao irmão caçula. Queríamos nos libertar e nos libertamos, mas nos acorrentamos um ao outro, ou seja, só mudamos as algemas de lugar ao invés de nos livrarmos delas. Hum ano e cinco meses depois nasceu nosso primeiro filho e três anos depois, nascia nosso segundo filho. Nesse meio tempo, surgiu um filho que não conseguiu nascer. No total seriam três fofuchos para alegrarem nossa vida, mas Deus sabe o que faz, não é? Enfim, esse casamento foi a deriva 9 anos depois por culpa de ambos, é claro!
A separação foi desastrosa e deixou cicatrizes profundas em ambos, mas, como eu disse, cicatrizes, portanto não sangram mais, para o meu bem como também para o bem de meu ex-marido. Por um desequilíbrio emocional acredito, fruto dessa separação desastrosa, me envolvi com outra pessoa. Foi um relacionamento de 1 ano que me aniquilou completamente, mas ao mesmo tempo, me fortaleceu de forma surpreendente!
Desde então, nunca mais me permiti ser envolvida por alguém a ponto de me sentir abalada com algo. Mas até que ponto, isso será saudável para mim? Ao mesmo tempo que não consigo visualizar-me vivendo com alguém, me assusta a solidão da velhice que virá certamente. Percebo com um certo pânico, a minha facilidade em descartar um namorado sem prévio aviso e sem nenhum remorso a ferir minha alma pelo rompimento repentino. Nesse momento, chego a uma conclusão assustadora. A de que eu nunca fui capaz de amar alguém de verdade. Já me apaixonei sim, perdidamente! A ponto de esquecer de mim mesma e vangloriar o outro como se fosse um deus vivo! Mas, como toda paixão, acabou do dia para a noite sem deixar vestígios. Dói, com certeza, dentro de mim, essa frieza que exala de meu coração ao encarar uma relação amorosa. Dói essa ausência de calor que todo amor nos honra com sua formosura e delicadeza. Coisa que nunca senti. Às vezes eu penso mesmo que sou imune ao amor e a qualquer relacionamento amoroso dedicando-me incondicionalmente aos meus amigos que me são tão caros, tão verdadeiros e tão pouco ameaçadores. Mas tenho que admitir que toda essa cautela que ergui em torno de meu coração, nunca me fará encontrar minha outra metade da laranja, ou, se já a encontrei, a deixei ir embora sem perceber a sua importância em minha vida. Sabe Tati, não queira ser como eu. Emocione-se profundamente com ele! Chore profundamente por ele e lute fervorosamente por esse amor. Lá na frente, com certeza, vocês estarão juntos para sempre. Poderão compartilhar um momento de suas vidas que todos nós um dia viveremos e nessa hora a presença dele será um bálsamo para seus momentos difíceis.
Portanto amada amiga, apaixone-se! Case-se! Suba ao altar sentindo-se uma rainha. Faça de sua vida uma vida espetacular. Liberte seu coração. Deixe-o livre para voar sem limites e sem medos. Não detenha sua felicidade... ela é sua! E é única!
Quanto a mim? Estarei sempre alojada na minha solidão que, infelizmente, é, no momento, meu único porto seguro. Não vale a pena ser como eu, pois tudo o que vou levar para minha vida futura, será a companhia de minhas recordações. Nada mais!
Até lá, quem sabe eu é que aprenda a ser como você, Tatinha querida...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pobre gatinha!

Desde que me conheço por gente, sempre convivi com gatinhos. De pequena sempre tinha gatos em minha casa e até hoje trago essa necessidade de ter um bichinho convivendo comigo e com minha família. Certa vez, isso lá pelos idos de 1997, fui com minha irmã comprar ração para o gato dela e me encantei com um filhote de siamês fêmea que estava em uma jaulinha forrada com jornal. Ela me olhou de uma maneira que derreteu meu coração soltando pequenos miadinhos como se dissesse: "Me leva! Me leva!". Perguntei o valor da gatinha que na época era R$ 50,00. Estava sem minha carteira então voltei com minha irmã para casa voando, entrei, peguei a carteira e voltei voando de novo para a loja comprando minha fofucha e mais os apretechos necessários para dar uma boa vida à nova moradora de casa. Lembro que entrei em casa escondendo a gatinha pois ainda estava casada e achava que meu marido não pudesse gostar da idéia, mas não tive problemas em relação à isso mesmo porque ele acabou se apaixonando pela bichana! Agora, o pior! Queria dar-lhe um nome de guerreira! De heroína! Algo que marcasse, que fosse forte assim como Isis, ou She-Ha, ou Safira enfim, na época, passava um seriado chamado Shena, pensei em dar-lhe esse nome, mas meus filhos foram contra pois acharam que ficaria muito "na cara" (não entendi isso até hoje). Foi quando tive a brilhante idéia de trocar o "e" de Shena por "a" ficando "Shana". O que eu não sabia era que esse nome também era usado para se referir de forma figurada à periquita, perseguida, perereca e,..... bem...... vocês sabem o quê não é? Pois bem, só fui descobrir isso depois da gatinha já estar atendendo pelo seu novo nome o que me impediu de trocá-lo. Para disfarçar eu falava que seu nome era Shaninha, mas isso nunca evitou os risinhos maliciosos dos que a ouviam.
Quando ela estava entrando no sexto mês, começou a apresentar um comportamento estranho o que me preocupou muito! Ela abaixava-se no chão, levantava a bundinha e ficava soltando miados grossos como se estivesse sentindo dores. Não tive dúvidas! Imediatamente procurei o telefone de um veterinário próximo e liguei na esperança de libertar minha gatinha do sofrimento. Quem me atendeu foi a própria veterinária e nosso diálogo foi mais ou menos assim:
- Boa tarde! Por favor, eu poderia falar com o veterinário da clínica?
- Sou eu mesma.
- Ah Doutora! que bom! Meu nome é Miriam e eu tenho uma gatinha siamesa que está com um sério problema na coluna.
- Na coluna? Qual a idade dela?
- Ela está mais ou menos com seis meses, mas chora muito e acho que é de dor.
- E como você sabe que é na coluna?
- Porque ela abaixa o corpinho todo no chão, curva o rabinho para o lado e levanta a bundinha, acho que é para aliviar a dor.
-...... (silêncio)............ (pequenos risinhos ao fundo)................... - Como é seu nome mesmo?
- Miriam
- Dona Miriam, sua gata está no cio!
- Cio???
- Sim. Nessa idade elas começam a entrar no cio e miam para chamar os machos afim de acasalarem... (ela só não arrematou com um sonoro: VIU SUA IDIOTA?, porque sua educação não permitia. )
- Ãaa. E quanto tempo ela vai ficar assim? (Nesse momento já lancei um olhar furioso para minha gatinha)
- Cada gata é diferente, mas a média é de 10 dias de cio.
-DEZ DIAS? Doutora, eu não vou aguentar essa gata miando e querendo transar com o primeiro macho que aparecer o tempo todo! (agora eu já queria matar a gata piranha e promíscua que eu adotei tão docemente)
- Se a senhora quiser, traga-a aqui que poderemos estimular sua ovulação fazendo com que ela saia do cio.
- Ah que ótimo! Vou hoje mesmo!
Marquei o horário, peguei minha gatinha "prostivacagaliranha" e me encaminhei à veterinária acreditando que lhe seria administrado uma vacina, injeção ou algum medicamento oral para cessar a impulsividade sexual da Shana. Como era difícil a Shaninha andar de carro, ela obviamente estranhou muito e começou a uivar literalmente durante todo o caminho fazendo com que eu acelerasse para chegar mais rápido ao destino. Lá chegando logo fui atendida pela própria veterinária com quem havia conversado à pouco. Ela olhou-me de cima a baixo provavelmente lembrando que eu era aquela IDIOTA QUE NÃO SABIA O QUE ERA "CIO" e pediu que eu aguardasse na ante sala pois estava terminando uma consulta. Aguardei entretida com os vários gatinhos que estavam a solta no consultório, segurando a minha gatinha com medo de que ela se oferecesse a qualquer um daqueles que ali se encontravam uma vez que sua 'sem vergonhice" estava a pleno vapor!
Logo a doutora chamou e entrei com ela e a Shana na sala de consulta.
Havia uma mesa bem cumprida onde coloquei minha gatinha. A doutora se aproximou e perguntou o nome dela. Nesse momento eu realmente me arrependi do nome que havia dado à gata, pois depois do mico de não saber do cio, falar o glorioso nome que dei para a gata seria muito humilhante, mas juntei as forças e arrematei:
- SHANA!
A Doutora até que foi simpática dizendo ser um nome bem diferente e perguntou se ela, a SHANA, era brava. Respondi que não, que ela era muito doce e meiga!
Dizendo isso a doutora pegou um cotonete de uns 2 palmos e meio de cumprimento. a Shana assoprou furiosa (provavelmente ela já imaginava o que estava por vir). Quando eu vi o cotonete estuprador, logo falei para a doutora:
- Ela não é brava, mas acho que vai ficar!
Colocaram uma fucinheira na gatinha que já estava com as garras afiadíssimas, rosnando para todos e aumentando seu tamanho em duas vezes!
Quando introduziram o maldito cotonete, a gata parecia ter virado um gato persa de tão peluda que ficou! Ela arrepiou todos seus pelinhos! Parecia um ouriço do mar! Era uma bola de pêlos brava e briguenta... Pensei comigo, bem feito! Quem manda querer dar pra todo mundo hein?
Logo depois senti pena e me coloquei no lugar da coitadinha... Eu provavelmente não gostaria nem um pouco que me enfiassem um cotonete adentro só para cortar meu tesão, concordam?
Pedi para terminarem logo com aquilo e a médica obedeceu retirando o cotonete gigantesco da pobre gatinha. Eu estava do outro lado da mesa e a Shana começou e andar vagarosamente na minha direção. Por um segundo imaginei que ela queria pular em meu pescoço e arrancar a minha jugular com seus dentes de tão brava que ela estava. Eu a compreendi perfeitamente e pedi em oração que ela entendesse que eu também não sabia o que era "Estimular Ovulação".
Terminado o procedimento de estupro da minha bichana, a médica me falou que ainda teria que estimular durante mais uns dois ou três dias para que ela saísse totalmente do cio.
Para ser sincera, naquela altura do campeonato, eu queria mais era que o cio da gata fosse para a puta que o pariu! Se para estimular a ovulação eu e a bichana teríamos que passar por tudo aquilo novamente, ela que ficasse no cio afinal tesão nunca matou ninguem.... eu acho!Obviamente que eu não retornei nunca mais àquela veterinária estrupadora de gatinhas inocentes e minha Shana agradeceu comovida! Poranto leitores assíduos do meu blog aí vai uma dica: NUNCA ESTIMULEM OVULAÇÃO DE NENHUMA FÊMEA POIS É AÍ QUE ELA VIRA MACHO OK????....rsrsrs
Fui!

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Benção ao meu ser!

Eu, Ser Humano Perfeita! Dotada de dons maravilhosos e cheia de energia positiva. Tudo que desejo realizo. Tudo que almejo, alcanço. Tudo que quero, possuo. Tudo que eu tento, eu consigo. Nada é difícil ou impossível. Tudo é fácil, possível e determinado. Todo meu potencial está dirigido para minha evolução material e espiritual. Mereço tudo que é bom, perfeito e belo! Sou destemida, ousada e criativa. Uso minha criatividade para o bem e isso se transforma em energia positiva retornando para meu ser tudo que irradia de minha aura. Sou protegida contra tudo que me faz mal. Carrego em torno de mim uma luz dourada que impede a presença de qualquer negatividade, tornando-me a cada dia mais forte, saudável e feliz. Desejo a todos os seres vivos existentes no universo, amor, paz e prosperidade e isto retorna para meu espírito em dobro porque esta é a Minha Lei! Amo-me muito, pois sou inteligente, capaz, amável, bela, generosa e admirável. Sei que este amor por mim aumenta a cada dia fazendo-me amar também a todos que se aproximam de mim conseguindo progredir de forma rápida. Parabenizo o universo por eu fazer parte dele, pois sou uma de suas maravilhas! Sem a minha presença o universo não estaria completo. Minha força magnética atrai tudo que é bom, pessoas, convívio, compreensão, perdão, amor, paz, tranquilidade, saúde e prosperidade. Onde eu entro Brilho! Tenho a força do Sol e a da Lua! Minha aura resplandece luz em todos os sentidos e invade todos os seres acalmando e gerando amor! Meu Pai Celestial me criou e sou a Sua maior maravilha. A experiência de viver é admirável! Acredito na capacidade de viver plenamente sem apego, sem cobrança, sem mágoa e com total doação de energia positiva, pois o universo me reabastece a cada segundo tornando-me uma fonte capacitadora do bem. Ensino, aprendo, compreendo, repasso, evoluo e todos que estão a minha volta caminham comigo se desenvolvendo da mesma forma, pois somos companheiros de aventuras. O dia de hoje é sempre perfeito! Não tenho passado. Vivo somente o presente e trago em minha esteira magnética a compreensão de cada passo. Cada caminho é feito com decisão, pois estou protegida pela minha mente que, aliada ao meu espírito, são meus instrumentos do bem. Acredito em minha existência perfeita, completa e cheia de luminosidade. Entrego a minha felicidade nas mãos de meu Criador. O Abençôo! Foi Ele quem me criou! Sabia o que estava fazendo, portanto, trago em meu ser A Sua Perfeição!
Obs.: Escrevi este texto dias antes de me separar lá pelos idos de 98. Isto nos mostra que até a tristeza, se bem utilizada, pode resultar em belos frutos!

domingo, 29 de março de 2009

Uma flor para outra flor!

Outro dia eu li um livro que ensinava-nos a contemplar as coisas boas. Dificilmente nós nos damos um tempo para essa contemplação. Vivemos sempre cheios de compromissos, contas para pagar, médicos, trabalho, afazeres domésticos que quando nos damos conta já é noite e nos jogamos na cama com o único intuito de dormir para acordar descansados na manhã seguinte para outra jornada maluca. Só que numa dessas noites eu me deitei com as palavras do livro na minha cabeça sobre contemplar o belo. Tentei silenciar minha mente para ouvir os sons dos cães, do vento, das folhas das árvores, de seus galhos e isso tudo no meio dos sons de carros, ônibus e motos que passavam o tempo todo na avenida onde moro. Foi difícil mas consegui discernir os sons da natureza dos sons produzidos pelo homem. E foi no meio dessa contemplação que me veio na mente o rosto angelical de uma doce menina com profundos e maravilhosos olhos azuis que eu cruzei no metro há uns 20 anos atrás.
Eu estava indo para algum lugar que não me lembro mais e embarquei na estação Santana do metrô. Sentei-me em um dos bancos que fica ao lado da porta do trem e logo à minha frente sentou uma menina de uns 6 ou 7 anos. Ela tinha uma pele que parecia pêssego de tão linda. Cabelos dourados e cacheados emolduravam seu rostinho angelical e caiam majestosos pelas costas até a cintura. Estava com um lindo vestido cor-de-rosa com uma fita azul presa na cintura formando um lindo laço nas costas. Tinha meias de renda brancas e calçava sapatinhos rosas. Seus olhos eram de um azul divino! Pareciam pintados pelas estrelas. Grande olhos azuis com enormes cílios que delineavam aquele olhar doce de um pequeno anjo.Logo que ela sentou-se, olhou-me direto nos olhos, fixamente. Fiquei constrangida a princípio e desviei o olhar mas, pelo canto do olho, eu reparava que ela me olhava insistentemente. Pensei que quisesse manter algum contato e voltei a olhar para aquela criança admirável! Comecei a tentar um contato amistoso e soltei uma risadinha timida, mas ela não esboçou nenhuma reação. Não desisti e continuei a fazer micagens para ver se ela sorria. Comecei fazendo caretas, sorrindo, mostrando a lingua, fazendo tchauzinho mas nada! Nada a fazia sorrir. Apenas me olhava seriamente simplesmente ignorando minhas tentativas de contato. Sua mãe ao lado dela estava completamente entretida lendo um livro sem nem sequer reparar nas minhas traquinagens junto com sua filha. Em determinado momento, já desistindo de conseguir arrancar um sorriso daquela pequena luz, peguei uma folha de papel e comecei a fazer dobraduras para formar uma florzinha. De vez em quando eu olhava para a criança que continuava a olhar-me fixamente. Quando terminei as dobraduras elas haviam formado uma pequena flor. Chegando próximo à estação que eu iria descer, levantei-me e estendi a mão com aquela florzinha para presentear a minha amiguinha. Neste instante, sua mãe me viu e disse para a filha: "Filha, tem uma moça bonita querendo te dar uma coisa", nesse instante a pequena estendeu seus bracinhos e alcançou minhas mãos pegando a florzinha. Sua mãe me olhou e disse "Ela só enxerga com as mãos!". Nesse instante, a pequena abriu o mais lindo sorriso que eu já havia visto em toda a minha vida e disse-me "obrigada!". Ela era cega e eu nem sequer havia percebido! Fiquei totalmente sem reação. Ao mesmo tempo que seu sorriso iluminou meu dia, sua cegueira paralisou meu coração. No entanto, ver ou não ver, não tinha a menor importância para aquela criança pois sua alegria ao receber a flor de papel foi tão legítima quanto se ela ganhasse o melhor presente do mundo. Tenho a nítida sensação de que ela deva ter essa florzinha até hoje guardada no meio de seus pertences como uma lembrança de uma moça sem rosto, mas com uma alma generosa pois era isso que aquela pequena enxergava. Ela conseguia ver o que nossos olhos não enxergam! Ela via os sentimentos, as boas intenções, as emoções, ela enxergava a gratidão de uma forma que nenhuma outra pessoa poderia enxergar. Essa foi uma das situações mais constrangedoras e magníficas que eu vivi nesses 45 anos de vida! Nossa cegueira é no coração enquanto que a cegueira dela, na verdade, nunca existiu! Beijos para minha pequena flor!