quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A marmita

Eu sempre trabalhei a maior parte de minha vida em Banco onde havia um excelente refeitório que fornecia almoço para seus funcionários com direito a sobremesa, é claro. Infelizmente ou felizmente, não sei bem ao certo ainda, minha vida tomou outros rumos que me fizeram deixar o banco onde trabalhava e partir para novos desafios. Fiquei alguns anos trabalhando em um instituto de Parapsicologia que também fornecia almoço para os funcionários e finalmente prestei um concurso público e fui trabalhar na Prefeitura de São Paulo que não fornecia almoço para seus funcionários. Começou então, uma nova etapa em minha vida de servidora pública! Foi em meados de junho de 2003 que comecei a trabalhar no Palácio das Indústrias, próximo à estação de metrô D. Pedro (quando eu falo próximo significa que tinha que se andar mais ou menos uns 15 minutos até o Palácio, viu?). Nessa época eu sofria de um problema chamado "Mal Perfurante Plantar", ou seja, uma pequena abertura na sola do meu pé esquerdo que não cicatrizava de jeito nenhum (NÃO! NÃO SOU DIABÉTICA SE É O QUE VOCÊS PENSARAM TÁ?), o que me obrigava a andar sempre com o pé esquerdo enfaixado pois ele frequentemente sangrava e era obrigada a usar uma sandália especial com piso de calcanho. Trata-se de uma sandália especial, nem um pouco fashion, que me forçava a apoiar o pé com meu calcanhar para que a ferida não tocasse no chão. (isso teóricamente, é claro, porque na prática é bem diferente). Bem, se com meus dois pés perfeitos eu já sou desequilibrada, imagine com um pé malacabado! Enfim, eu caminhava sempre "devagar quase parando", para evitar desastres o que seria inevitável caso eu resolvesse apressar o passo. Bem, lá no palácio e ocupando minha nova função de Assistente Administrativa, descobri que havia um refeitório para o almoço dos funcionários, mas fiquei terrivelmente frustrada ao ver que ele se resumia a uma mesa e algumas cadeiras o que me obrigaria a levar marmitas para o serviço. Isto posto, resolvi que deveria providenciá-las para os próximos dias que se somaram em 3. Foram três dias levando marmita para nunca mais na minha vida inteira incluindo as próximas 54 encarnações futuras nunca mais levar! Comprei uma vasilha de plástico nessa lojinhas de R$1,00 que fosse num tamanho razoável que coubesse minha refeição com folga. Arrumei uma sacola pequena de papelão para acomodar a marmita de forma que não me atrapalhasse com as mãos caso eu precisasse delas uma vez que os pés já não eram muito confiáveis. Por dois dias seguidos, não tive problema algum com minha marmita, mas no terceiro... Logo pela manhã percebi que chovia aos cântaros! Lá vou eu com minha sandália fashion, bolsa, sacola com marmita e guarda chuva para o ponto de ônibus. Já no ponto, fechei o guarda chuva que estava ensopado e coloquei-o na sacola de PAPELÃO junto com minha marmita. Dá para ter uma pequena idéia do que aconteceu? Bem, continuando. Chegando na estação D.Pedro, desci do metro com aquela agilidade fantástica de uma "perneta bêbada" e me dirigi para as escadas rolantes. Graças a Deus eu era uma das últimas a pegar a escada, atrás de mim havia mais duas pessoas. Quando dei um passo para o degrau da escada rolante, meu pé escorregou e dei um tranco na sacola que imediatamente abriu o fundo molhado por causa do MALDITO GUARDA CHUVA fazendo com que minha marmita desse um salto aeróbico para cima de mim causando uma cena emocionante: uma chuva de arroz, feijão, batatas, pedaços de linguiça e um ovo frito! Misteriosamente as pessoas que estariam atrás de mim desapareceram! Neste momento eu não sabia se pegava o guarda chuva, a tampa da vasilha, a vasilha, ou se voltava e me jogava nos trilhos do metrô! Detalhe: A escada rolante, rola, concordam? Ela não pára só porque uma idiota deixou cair tudo em cima dela! Por este motivo meu desespero foi maior pois tinha medo que a vasilha, ou a tampa, ou o guarda chuva prendessem no final na escada, uma vez que o ovo frito já estava quase sendo devorado pelas engrenagens da escada rolante mutante do inferno! A comida começou a amontoar no ultimo degrau da maldita escada. As batatinhas dançavam conforme a escada rolava. Não me lembro exatamente como eu consegui pegar os apetrechos antes de sair da escada infernal e ainda dar uma última olhada para poder me despedir do ovo frito que foi subitamente engolido pelo monstro! Até hoje me pergunto para onde foram as duas pessoas que estavam atrás de mim! Provavelmente elas optaram em ir pela escada fixa que seria muito mais seguro naquela hora! Saí da estação tirando os grãos de arroz e feijão que ficaram grudados no meu cabelo e prometendo a mim mesma que nunca mais viveria uma situação igual àquela. Quando cheguei ao palácio me dei conta de que ainda estava segurando a sacola furada e carregando a vasilha, a tampa e o guarda chuva pois havia parado de chover. .....pelo menos isso, né? Beijos Mi

2 comentários:

daniella disse...

Ahhhh!
Por isso que você não almoça mais!
ahahhahahahaa

Otima... mas ainda quero escutar vc contando... com toda a sua entonação e encenação rs

Tatiane disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk................
Não tô me aguentanto de rir.. essa eu não conhecia.. quando for fazer a encenação para a Dany favor me comunique, preciso desses teatros para revigorar meu humor...

Bjus... você é ótima!!!